Semana 17/18 – Inevitavelmente, o final do ano é sempre uma época de balanços. Tendo em conta que as férias escolares foram aproveitadas para a presença de parte da equipa num campo de natal – para além de duas presenças nas seleções distritais – e, numa segunda semana, para atividades mais lúdicas, apresta-se a reflexão deste período a olhar para o ano de 2015 como um todo.

O foco está no treinador e naquilo que ele pode trazer para o seu trabalho de dia-a-dia.

inspiraçãoNão se pode treinar sem estudar, regularmente, o jogo. Ver partidas e mais partidas, de diferentes níveis competitivos, de diferentes países, que te sugiram novas leituras e entendimentos da modalidade em que trabalhas. Por vezes, o conselho passa por te fazer ver e aprender os melhores. Tenho uma opinião ligeiramente diferente. Vê e aprende com todos. O jogo não é feito apenas por aquilo que está contido na sua evolução máxima, mas é, sobretudo, um caminho para lá chegar. Só entendendo as várias possibilidades vais chegar a completar todo o potencial que o jogo te oferece.

Procura, fora da modalidade, aquilo que pode enriquecer o conteúdo do teu treino. Todas as modalidades te podem sugerir alguma coisa para o trabalho que efetuas regularmente. Ainda há dias um treinador norte-americano associava ao futebol o bom jogo de pés de jogadores europeus. Todas as análises táticas e organizacionais que se fazem hoje no futebol te podem trazer ensinamentos para o teu jogo. Tal como no Andebol há muito por explorar para entender sistemas defensivos e de transição, para além de procurar entender as possibilidades de execução técnica com a presença da força. Estas terão sido as duas modalidades que, este ano, me tocaram. Mas também fora do desporto há muita coisa a explorar. Tudo o que tem que ver com a psicologia do ser humano e, no caso da formação, do jovem. Tudo o que tem que ver com liderança e convivência dentro de grupos. Tudo o que é literatura, poesia, arte. A todos esses campos deves ir buscar alguma coisa para enriquecer o teu trabalho.

Procura, também, em ti mesmo, as características que mais te valorizam perante os outros. Se és falador e brincalhão, traz essa faceta para o contacto com os teus jogadores. Se és mais calado e pensativo, ajuda-os a entender os benefícios da auto-reflexão e do auto-conhecimento para a melhoria do seu jogo. Quanto maior ligação existir entre o teu eu enquanto pessoa e o teu eu enquanto treinador, mais verdadeiro e autêntico serás para aqueles que trabalham contigo. Isso vai aumentar o seu grau de confiança em ti e também a qualidade do trabalho feito.

Finalmente, não desistas nunca de ser um inspirador. Trabalhas com gente que está a crescer e a descobrir, o mundo e a si próprio, e tens a obrigação de os inspirar a quererem mais, a quererem melhor. Se é certo que, para inspirares, tens que ter do outro lado alguém pronto a ser inspirado, não deixes de dar tudo, o que tens ao teu alcance e o que não tens, para fazer daquele miúdo ou miúda, alguém melhor. No fundo, é isso que eles e elas esperam de ti.

Feliz 2016.

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