Responsabilidade e Consequência

Semana 33 – Uma das dificuldades dos jogadores em formação parece ser o entendimento sobre a sua responsabilidade no contexto do treino e do jogo, algo que acaba por ter um forte impacto nas consequências das suas ações.

Numa primeira instância, essa falta de entendimento foca-se nos exercícios do treino. Muitos demoram a entender a conexão entre aquilo que se faz no treino e aquilo que se fará em jogo, como se fossem duas realidades diferentes. Nesta fase, o desconhecimento acaba por ter como efeito treinar com uma intensidade muito menor do que a desejada, para além de levar a uma escolha de prioridades dentro do treino – baixo nível de participação em alguns exercícios, aumento desse nível noutro (o jogo no treino).

13055770_1197549173598039_98421034921221042_oNuma segunda instância, encontramos exemplos de jogadores que, no próprio jogo, não entendem que as suas ações têm consequências. A ligação entre esforço e conseguimento demora imenso a ser adquirida, percebendo-se que este ponto não é exercício convenientemente na sua vida fora do desporto. Ora, se um jovem não está habituado a entender a sua responsabilidade na escola, em casa, com os próprios amigos, entendendo que são sempre os “outros” quem arca com as “culpas”, também não será de forma automática que o veremos na prática desportiva.

É daqui que saem os exemplos dos jogadores que se sentem pouco abonados pela sorte (“o lançamento nunca entra”), prejudicados pelo adversário (“eu tinha a bola e ele agarrou-me para não continuar”), focados pelo árbitro (“ele nunca marca as faltas”) ou até pelo que se passa fora do campo (“estavam a gritar da bancada”). É desta incompreensão da sua própria responsabilidade que acontece um jogador não entender que deve jogar por si, pela sua equipa, esforçando-se ao máximo para conseguir o máximo possível.

Estas práticas devem ser atacadas na base, procurando-se estratégias que exponham estes comportamentos de uma maneira que seja entendido pelo jovem que as coisas que faz têm efeitos. Se essa compreensão não for profunda e duradoura, continuaremos a vê-los crescer com dificuldades para entender as consequências das suas ações, quer passem a estar na bancada (como adeptos ou pais), quer continuem ligados ao jogo (como treinadores, dirigentes ou árbitros).

Amanhã há treino!

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Publicado por Luís Cristóvão

Comentador na Antena 1, Eleven Sports e SIC Notícias. Autor no Expresso. Analista de futebol, fala e escreve sobre desporto em vários meios de comunicação social.

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