Orlando Sá cumpriu um crescimento à força que se tornou quase hábito para todas as promessas de ponta-de-lança em Portugal. Aos vinte anos, fazia parte do plantel do Braga. Na época seguinte, do Futebol Clube do Porto. Na sua terceira temporada na Primeira Liga portuguesa, foi emprestado ao Nacional da Madeira. Ao todo, fez 28 jogos e marcou cinco golos. Aos 23 anos saiu do país, vergado pelo peso da incapacidade para comprovar as enormes expetativas que se alimentaram em seu redor, e como que deixou de fazer parte das contas quando se elencam pontas-de-lança portugueses.

No entanto, em sete temporadas por cinco países diferentes, Orlando Sá marcou mais de 70 golos. Se no Fulham, no Reading ou no Maccabi Tel Aviv o seu rendimento esteve mais próximo do que havia demonstrado na Liga Portuguesa, no AEL Limassol, no Légia Varsóvia e, especialmente, no Standard Liège, surgem dados que podem tornar a observação deste avançado interessante.

Orlando Sá agrupa características de um jogador de área, de remate fácil e com qualidade de enquadramento. Ao nível do passe, apresenta números bastante aceitáveis para jogadores que ocupam terrenos mais avançados. Não sendo, propriamente, um jogador de muito sucesso no drible, fica também exposto pelo modelo de jogo da sua atual equipa, o Standard Liège, que oferece os seus elementos mais adiantados ao risco. A sua lacuna principal prender-se-á com os números defensivos, onde também poderá ter influência o comportamento coletivo.

Observado no clássico da Liga Belga entre Standard de Liège e Anderlecht, Orlando Sá surpreendeu muito positivamente na primeira parte, onde surgia, quando a equipa tinha a bola, não como o seu elemento mais avançado, mas no apoio a Duje Cop, jogador croata que também passou pelo Nacional da Madeira. Evidenciando as suas qualidades na finalização, Orlando Sá marcou o primeiro golo da sua equipa, bem posicionado ao segundo poste no seguimento de um pontapé-de-canto, mas explorou, também, movimentos à procura de servir companheiros nas proximidades da área.

Quando a equipa não tinha a bola, a organização passava do 4-3-3 para o 4-4-2, com Orlando Sá a ser um dos elementos na primeira linha de pressão, procurando dificultar a saída para o ataque do seu adversário. Render a um nível bastante alto num campeonato de um país que, de acordo com o rendimento dos seus clubes nas competições europeias, faz parte do Top 10 da UEFA, oferece fortes argumentos para se olhar, com cuidado, para a evolução de um avançado que cumprirá, no final desta época, 30 anos.

Ainda sobre o modelo de jogo da sua equipa, nota para o facto de ser orientado por Ricardo Sá Pinto. O treinador português tem um plantel com muita qualidade e, neste encontro, demonstrou que mantém características que lhe eram reconhecidas enquanto jogador no selo do seu trabalho técnico. Uma equipa muito apostada no ataque, a chegar com quatro jogadores ao último terço, procurando pressionar e viver o clássico no limite. O 10º lugar será ingrato, mas talvez pague o preço de alguma falta de calculismo. O Anderlecht, seu adversário e que está na 3ª posição, aproveitou três situações de transição rápida para marcar outros tantos golos. A vertigem ajuda a destacar qualidades, mas também leva ao destapar de fragilidades.

No final das contas, para além dos jogadores, este clássico da Liga Belga demonstrou que há espetáculo neste campeonato. Para rever.

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