Olhando para os jogadores que mais vezes perdem a bola na Liga NOS, aprendemos mais sobre a equipa que cada um deles representa do que sobre as suas qualidades individuais. Os números nem sempre nos dizem aquilo que parecem estar a dizer.

Selecionei os 16 jogadores da Liga NOS que atuaram mais de 1000 minutos e perderam a posse de bola um mínimo de 2.6 vezes por cada 90 minutos de jogo. Curioso entender o que têm em comum a maior parte deles.

Todos são jogadores que atuam no meio-campo ofensivo ou na frente de ataque, como elementos mais móveis. 11 deles atuam nas seis equipas que mais vezes perdem a posse de bola por jogo. 10 deles atuam nas seis equipas que mais dribles por jogo somam. 7 atuam nas cinco equipas com mais posse de bola.

A grande maioria entra nesta lista por questões do modelo de jogo da equipa, pela missão individual que lhes é entregue, pelo facto de, criando desequilíbrios, se encontram muitas vezes, também, do lado de quem perde a bola.

Não é por acaso que os dois jogadores que mais vezes perderam a bola por 90 minutos, Rúben Ribeiro no Rio Ave e Gonçalo Paciência no Vitória de Setúbal, mudaram-se, no mercado de inverno, para Sporting e FC Porto. Aliás, nesta lista, estão ainda Paulinho, que também se mudou para o Porto, Etebo, que saiu para a Liga Espanhola, Brahimi, um dos jogadores com mais dribles bem sucedidos da Europa, João Novais e Shoya Nakajima, dois dos jogadores mais desejados pelo mercado. Curioso notar, também, que Salvio e Acuña, dois jogadores que Jorge Sampaoli utiliza como laterais na seleção da Argentina, também estão presentes nesta lista.

Muitas vezes olha-se para estes números como exclusiva responsabilidade individual de cada jogador, o que me parece demasiado limitado na análise que se pode fazer de cada um deles.. Num jogo coletivo há muito mais o que entender, porque o que cada um faz depende, quase sempre, das restantes partes da equipa.

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