Portugal foi eliminado por um Uruguai que tirou um elevado rendimento das oportunidades criadas no encontro dos oitavos-de-final, mas em termos táticos, a equipa de Óscar Tabárez soube adaptar-se ao contexto oferecido pela seleção nacional para a surpreender. O primeiro golo acaba por nascer de um erro provocado pelo desconforto gerado na ação dos jogadores uruguaios frente a Portugal.

Se na antecipação da partida estudávamos as duas possibilidades que o Uruguai havia oferecido neste Mundial (e na sua caminhada) para ir a jogo, fosse num 4x4x2 clássico, fosse num 4x4x2 em losango, Óscar Tabárez acabou por optar pela solução do meio. Frente a Portugal, olhando para o onze no papel, poderíamos entender a existência de um losango que, na verdade, raramente apareceu no terreno de jogo em Sochi.

Uruguai 1ª fase de construção
Nández na faixa direita do ataque, no momento da primeira fase de construção uruguaia

Nández, esperado médio interior direito, assumiu um comportamento de extremo, ocupando quase sempre o espaço na faixa, de forma a conter a subida de Raphael Guerreiro, o que permitiu uma noite relativamente descansada a Martin Cáceres, mas sobretudo como forma de oferecer largura a um ataque uruguaio que pretendeu escapar-se a marcações individuais dos jogadores portugueses mais recuados.

O Uruguai apresentava uma estrutura assimétrica porque, do lado contrário, era Edinson Cavani quem aparecia a ocupar a faixa esquerda, pelo menos nos momentos iniciais do ataque, mas fugindo constantemente para outras zonas do terreno, beneficiando de uma liberdade que fazia dele o segundo avançado quase sem posição onde se fixar.

posicionamento médio
Posicionamento médio dos jogadores do Uruguai frente a Portugal. Dados Fifa.com

Fernando Santos foi sensível à possibilidade de um Uruguai tentado a conter a iniciativa ofensiva pela esquerda, encontrando em Ricardo Pereira uma solução que, em termos ofensivos, foi muito pouco explorada pela equipa portuguesa. Defensivamente, Ricardo Pereira acabou muito exposto à situação criada pelos uruguaios, visto que a movimentação de Cavani acabava por criar vantagens sucessivas para o Uruguai, deixando o lateral direito campeão nacional pelo FC Porto sem referência.

No lance do primeiro golo, o erro provocado pelos uruguaios, foi evidente que a mudança de corredor de Cavani deixou Portugal sem chão. Cavani surge pela direita, faz um passe longo para o corredor contrário e faz com que todos os jogadores portugueses se concentrem na bola, ignorando as ameaças que lhes surgiam pelas costas. Foi exatamente nesse espaço, onde Nández apareceu com Cavani, que se gerou a vantagem. Nández procurou entrara pela cabeça da área, enquanto Cavani avançou para a pequena área para fazer o golo.

As situações de assimetria na organização das equipas são cada vez mais comuns e lançam desafios exigentes à organização defensiva dos seus adversários. Portugal acabou exposto e encontrou aqui uma das razões para a sua eliminação no Mundial 2018.

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