Completou-se a quinta jornada da Liga NOS com a vitória do SC Braga sobre o Sporting, com um golo de Dyego Sousa a fazer a diferença no marcador final. No entanto, daquele que poderia ter sido um momento de expressão da qualidade do nosso campeonato, apenas saiu mais um episódio da forma como as equipas portuguesas tentam controlar aquilo que é previsível.

A sensação geral no final da partida foi a de alguma frustração. Para os bracarenses, que venceram, resta a satisfação dos três pontos e da sua capacidade de afirmação perante o Sporting, quadro já experimentado nas temporadas passadas, mas os dados que deixam para o todo do campeonato estarão ainda longe de ser os mais positivos. O Braga, sim, poderá ser visto como o conjunto que procura ser mais equipa, sobretudo por ter menos elementos que podem desequilibrar, se comparados com os três grandes.

Nessa procura de fazer coletivamente o que outros podem fazer de maneira individual, a equipa de Abel Ferreira preocupa-se em defender bem, trabalhando de forma elaborada a relação entre os dois e os três centrais a partir da faixa lateral direita, o que lhe permite maior expressão ofensiva no corredor central, bem como em ter diferentes opções para o meio-campo ofensivo, seja na qualidade de Ricardo Horta, na deslocalização de Wilson Eduardo (um jogador que vai tendo menos posição definida e, por isso mesmo, maior expressão no coletivo) ou no poderio de Dyego Sousa. Depois, pode mudar, como fez ontem, retirando um avançando e colocando um médio criativo e, naquilo que são as capacidades de cada um dos elementos lançados em campo, acaba por determinar diferentes respostas para o seu coletivo.

Quem por mim decide, bom de mim faz

Neste encontro, o Sporting voltou a apresentar-se no seu fato mais apertado, com José Peseiro a ter agora mais soluções para o onze, mas a limitar a expressão dessas mesmas opções, na forma como colocou Battaglia e Gudelj quase sempre de perfil, com mais preocupações em termos defensivos do que ofensivos. O jogador sérvio apenas tocou na bola uma vez no último terço ofensivo durante os 86 minutos que esteve em campo, o que diz bem do contrasenso da sua utilização nesta partida.

No fundo, o Sporting sofre do mesmo síndrome que afeta Benfica e FC Porto neste início de temporada, com a diferença para os seus rivais que atuam na Liga dos Campeões a impor-se pela superioridade de respostas para o desequilíbrio individual que encarnados e azuis e brancos apresentam. O Sporting chegou perto do golo sempre em lances individuais, com Raphinha, Bruno Fernandes e Jovane a criarem sensação de perigo, numa exibição bastante longe do que se poderia esperar de um conjunto com meses de trabalho. No entanto, tal como há dias atrás disse na SIC Notícias, não se pode olhar para este Sporting pelos resultados positivos que vinha apresentando, mas, sim, considerando o ponto de partida que Peseiro teve que enfrentar. As limitações impostas a um grupo que se tenta gerir apenas do ponto-de-vista emocional ficaram à vista num jogo onde o Braga não errou o suficiente para alimentar a sorte dos leões.

Querer mais e não poder esperar diferente

Daqui a duas semanas a Liga NOS volta a engalanar-se no topo da tabela com o encontro entre Benfica e FC Porto. No entanto, aquilo que a tendência das últimas temporadas nos diz – e essa tendência acabou por ser confirmada ontem no encontro entre bracarenses e leões -, é que não podemos esperar muito mais daquilo que o campeonato português nos vai oferecendo.

Equipas com esquemas previsíveis, sem grande expressão de complexidade em termos táticos e estratégicos, superdependentes dos seus desequilibradores para conseguir resultados positivos. O fosso cavado entre os quatro grandes e os restantes adversários apenas a espaços vai sendo disfarçado por treinadores com modelos de risco que se podem afirmar em temos estilísticos, mas dificilmente o alcançam no que toca a resultados e a aproximação aos quatro eternos primeiros classificados.

Colocar todas as esperanças nos jogos entre as equipas mais fortes continua a chocar com o facto dessas mesmas equipas sentirem que, nos jogos onde a previsibilidade é colocada em risco, a resposta passa sempre por arriscar menos. Queremos, assim, controlar o incontrolável. Perde o espetador e perde quem espera que o jogo possa ser pensado a partir do trabalho coletivo, como coletivo é o jogo a que se chama futebol.

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