A viagem à volta do mundo do futebol durará pouco mais de um mês, abarcando histórias da Copa América, Gold Cup e Taça das Nações Africanas.

Para mim, o futebol foi, desde cedo, uma maneira de conhecer o mundo. Fossem as aldeias que jogavam contra o Grupo Desportivo da Serra da Vila, as vilas ou cidades que tinham equipas para defrontar o Sport Clube União Torreense, ou a imensidão de um globo que nos chegava, semanalmente, através dos jornais, com todos aqueles resultados dos campeonatos nacionais e distritais. O mistério adensava-se com os jogos das competições europeias e das provas de seleções. Graças à UEFA descobriam-se mapas da Europa, e era com a Copa América, a Gold Cup e Taça das Nações Africanas que a volta ao mundo se completava.

Tudo começou a acontecer de forma mais visível no início dos anos 90. Uma antena parabólica (talvez o objecto mais recorrente, a seguir à bola, em todas as minhas histórias de futebol) abria, de repente, uma janela para a descoberta do lado de lá do jogo. Eram os tempos em que o futebol sul-americano se marcava pela agressividade na disputa de cada jogada, em que os atletas das Caraíbas pareciam fabulosos corredores de velocidade, onde a magia africana saltava de cada finta inventada no cérebro de autênticos magos do futebol de rua. Eram os tempos em que o futebol era uma face daquilo que cada povo tinha como a sua cultura, para o bem e para o mal, essa antena parabólica permitiu-me crescer num mundo onde ainda se demorava a chegar a globalização.

Por isso o resto do mundo resiste a uma tentação eurocêntrica, mas nasce exatamente dessa vontade de descobrir o que estava para lá do meu alcance. A confrontação com a diferença, a descoberta de outros mundos, a contaminação de culturas que nos trouxeram até ao dia de hoje, aqui, onde neste verão especial de 2019, três provas coincidem no calendário. Parto, assim, ao desafio de ir escrevendo, num misto de diário, memória e partilha, o quotidiano da Copa América, da Gold Cup e da CAN. Partindo do Brasil, passando pela Costa Rica, Jamaica e Estados Unidos da América, até chegar ao Egito.

#restodomundo
de 14 de junho a 20 de julho
em luiscristovao.com

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