A Supertaça Cândido de Oliveira joga-se no próximo domingo, com o campeão nacional Benfica a encontrar o Sporting, vencedor da Taça de Portugal, no Estádio do Algarve. O primeiro jogo da época marca, também, o momento final de uma pré-temporada onde Bruno Lage e Marcel Keizer tiveram oportunidade para cimentar as suas ideias e testar alternativas para completar os respetivos modelos de jogo.

Tempo para alimentar a ideia

Bruno Lage e Marcel Keizer entraram nos respetivos clubes com a temporada em andamento e com os resultados a exigirem-se, depois dos despedimentos de Rui Vitória e José Peseiro. Ambos tiveram impacto imediato na alteração das ideias que conduziam as equipas, com uma primeira impressão bastante positiva, demonstrando capacidade para intervir mentalmente nas equipas, modificando pormenores que foram aproximando Benfica e Sporting dessas novas ideias que chegavam.

No caso dos encarnados, essa ideia levou à conquista do título. O Sporting, por sua vez, ultrapassou maiores dificuldades para manter as alterações sugeridas pelos primeiros encontros do técnico holandês. Ambos beneficiaram, na pré-temporada, do tempo que não tiveram durante a época passada. Consolidar as ideias trabalhadas no decorrer destes meses, Bruno Lage procurando quem possa surgir no espaço onde João Félix foi decisivo, Marcel Keizer a pensar na forma de gerir um quadro onde a sua figura principal (que ainda está no plantel) também parece estar de saída.

Testar para a época, testar para o jogo

A sensação que fica da pré-temporada do Benfica é a de um Bruno Lage mais liberto para fazer experiências à procura das variações dentro do seu modelo, sobretudo na questão dos comportamentos da peça que surge como segundo elemento da linha avançada. Raúl de Tomás com Seferovic, numa dupla mais focada na área, a forma como Rafa intervém neste espaço, Chiquinho ou Taarabt em alternativas. A liberdade de Lage nasce, sobretudo, do facto de João Félix já ter saído. Isso e o contexto de ter sido campeão permitiu-lhe preparar a época ao longo dos jogos disputados.

No caso do Sporting, o foco esteve mais centrado na preparação para o jogo. Bruno Fernandes manteve-se no plantel e disputará a Supertaça (último jogo?), pelo que se mantém a ideia de jogar em volta do camisola 8 dos verde e brancos. A evolução dos encontros levou, no entanto, a um certo questionamento da opção, com a passagem de Vietto da faixa para o centro, onde se sentirá mais confortável, lançando Bruno Fernandes para um regresso a partir da faixa, tendo, ainda assim, que chegar aos mesmos espaços de decisão. Para Marcel Keizer, vencer esta “final” surge como uma exigência. Depois, com o plantel que ficar, se verá.

As opções da Supertaça

Olhando o percurso das duas equipas, percebendo-se a forma como cada treinador foi gerindo os jogadores disponíveis (com lesões e férias prolongadas para jogadores que estiveram em competições como a Copa América ou a CAN), não espanta que o Sporting seja mais parecido com a sua face da época passada do que o Benfica. Mesmo tendo terminado a temporada com menos motivos de ânimo perante a estrutura do seu jogo coletivo, tudo no Sporting aponta para o regresso a um onze próximo do que fechou a época, com a possibilidade, mesmo, de não haver qualquer reforço como titular, com Acuña a poder ocupar o espaço na faixa esquerda e a relegar Vietto para o banco.

O Benfica deverá surgir com Raúl de Tomás junto a Seferovic, modificando a ideia nas características dos jogadores que estarão em campo. O suíço é, tendencialmente, mais dado a dinâmicas de deslocamento para o espaço, o que poderá empurrá-lo para ser um segundo avançado, enquanto RDT surge como homem de área e finalizador. Desta maneira, também voltará a crescer a pressão criativa sobre os elementos do meio-campo, com Pizzi e Rafa, falsos extremos que partem da ala para serem chamados a estar no espaço central, a serem os necessários criadores de desequilíbrios.

Quem preparou a época, poderá acabar por se revelar mais forte nas suas opções futuras, enquanto quem preparou o jogo (e o enfrenta com um onze sem alterações) se resguarda das fragilidades que a novidade pode oferecer (mesmo com o tempo, tantas vezes pedido, para trabalhar). Enquanto o Benfica inicia a temporada, o Sporting, confirmando-se a saída de Bruno Fernandes, terá na próxima semana uma nova “pré-temporada” para preparar.

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Publicado por Luís Cristóvão

Comentador na Antena 1, Eleven Sports e SIC Notícias. Autor no Expresso. Analista de futebol, fala e escreve sobre desporto em vários meios de comunicação social.

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