O texto do Pedro Jorge Cunha no MaisFutebol é ponto de partida para uma pequena reflexão sobre a forma como se sai com bola, se pressiona e se lê o jogo. 

Vale a pena ler o @pedrojscunha porque não há dúvidas de que o FC Porto – Famalicão relançou a questão sobre o sair a jogar com bola perante a pressão do adversário. Ainda que, da minha parte, não tenha visto nesse jogo nem suicídio nem preconceito.

Se há coisa que em Portugal não vejo grandes sinais, na forma como as equipas geram a saída de bola, é preconceito. Na maior parte dos casos, basta uma leve intenção de pressão para procurar bater o pontapé de baliza longo. 

Outro das coisas que, na Liga Portuguesa, não se vê muito, são sistemas coordenados de pressão alta. De certa forma, é isso que permite que equipas como o Famalicão, o Rio Ave ou o Vitória SC, para dar alguns exemplos, possam insistir tanto na sua intenção. 

Através desse controlo em posse, estas equipas têm alcançado bons resultados, para além de estarem a valorizar bastante os seus jogadores. Ou seja, estamos perante casos que apuram a qualidade do nosso futebol pelo que propõem.

Se compararmos a Liga NOS com outras provas, como por exemplo, a Bundesliga, vemos muito intenção de sair com bola e muito melhores equipas montadas para pressionar alto. Mesmo assim, muitas das equipas mantém a sua postura com bola, ainda que apresentado variáveis que as beneficiam.

Na Alemanha, muitas equipas conjugam o sair com bola com movimentações na frente de ataque que abrem soluções para esticar o jogo após a saída da primeira fase de construção. É um jogo misto, cheio de variáveis, que complica a sistematização defensiva do adversário.

No Dragão, o Famalicão entregou-se várias vezes “à morte” na forma como tentou jogar. Mas os erros, como o técnico João Pedro explicou, não ocorreram na saída, mas sobretudo devido à forma como o FC Porto condicionou a progressão da equipa. 

O FC Porto nem sempre pressiona bem, mas pressiona com muita gente e fortemente focado no homem com bola. É uma opção de risco mas, frente ao Famalicão, resultou. Os minhotos mostraram que, forçados a variar, ainda têm muito trabalho pela frente. 

O interessante do artigo do @pedrojscunha está, ainda, na forma como fala de uma ortodoxia presente na forma como se analisa o jogo em Portugal. Por alguma razão, que confesso que me escapa, entendeu-se que o crescimento da perceção do jogo se faria taxando o outro de burro.

Foi uma “rebeldia” que poderá ter feito sentido durante um tempo. Mas o futebol é tão mais rico e complexo, que não faz sentido analisar com duas facas na mão. Os treinadores, aqueles que estão no centro da vida do jogo, sabem-no melhor que ninguém.

Por isso, o Famalicão, apesar desta derrota, vai ser uma equipa mais forte com o que “sofreu” no jogo do Dragão. E certos analistas vão continuar a falar sozinhos. Eu vou continuar a ler o @pedrojscunha e a pensar que as “chuteiras pretas” são as que desenham os melhores passes. 

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Publicado por Luís Cristóvão

Comentador na Antena 1, Eleven Sports e SIC Notícias. Autor no Expresso. Analista de futebol, fala e escreve sobre desporto em vários meios de comunicação social.

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