Não se distraiam aqueles que, focados na paragem dos jogos, na mudança de calendário ou nos dias de verão sul-americano, encaram este Flamengo como a partida para uma segunda temporada de Jorge Jesus no clube do Rio de Janeiro. A época do treinador português, na verdade, ainda não acabou. Hoje começa a disputa da Recopa Sul-Americana, sábado há final da Taça Guanabara.

Organizar o calendário

Se na América do Sul se passou, entre dezembro e janeiro, não só para um ano novo, mas também para uma nova temporada, na Europa, conforme os casos, viveram-se momentos de pausa de inverno. Jorge Jesus viveu as suas férias como se de uma pausa se tratasse. Desenganem-se quem o ouve a desvalorizar o Estadual ou a repetir a ideia de que a sua equipa está noutro patamar. Ganhar competições, sejam elas quais forem, é a prova provada de que esse patamar está consolidado.

Na pausa de uma para outra temporada, Jorge Jesus manteve como ponto de honra a manutenção das principais figuras do plantel. Não conseguiu segurar Pablo Marí, compensando a saída do espanhol com a chegada de Gustavo Henrique, o defesa do Santos que lhe permite disfarçar na perfeição a ausência do central europeu, mas conseguiu manter toda a restante estrutura do seu onze, encontrando, até, um substituto com o potencial para assegurar competitividade ao craque da equipa. Hoje, por exemplo, não há Gabriel Barbosa, mas haverá Pedro no seu lugar.

Velocidade furiosa

A entrada do Flamengo na presente temporada fez-se em velocidade máxima. Parece não ficar claro que a equipa está a iniciar uma época. Com Jorge Jesus no comando, não sobra espaço para gestão – aliás, para que essa gestão existisse, o técnico português e os principais jogadores nem entraram em campo em diversas partidas do Estadual. Não existe um enquadramento para evoluir. Só existe o estar no topo.

Também por isso o encontro no Equador é um teste para Jorge Jesus. Como o treinador português assumiu, “não tenho experiência disso. Vou fazer aquilo que a equipa médica e fisiológica disser”. Uma novidade no discurso de Jorge Jesus, uma questão para entender na maneira como a equipa se comportará perante o Independiente del Valle. Mas valerá a pena recuar no tempo para lembrar um dos primeiros jogos do português na América do Sul, também no Equador, frente ao Emelec. Gerir em função do jogo da segunda mão é uma possibilidade.

Miguel Ángel Ramírez, treinador do Independiente del Valle

Para a equipa do Independiente, este quadro será, também, aceitável. A equipa disputou apenas um jogo oficial desde 28 de novembro, frente ao Mushuc Runa, na abertura da Liga Equatoriana. Jogo disputado em baixa intensidade, típico do início de temporada. A cara do conjunto de Miguel Ángel Ramírez só mudará pelo impacto mental que a Recopa poderá ter nos seus jogadores. Sendo já história, a primeira final de uma competição sul-americana com dois treinadores europeus, apensar das condicionantes, terá muito para nos oferecer.

Publicado por Luís Cristóvão

Comentador na Antena 1, Eleven Sports e SIC Notícias. Analista de futebol, fala e escreve sobre desporto em vários meios de comunicação social.

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