[Artigos do Expresso] “É tanto, é pouco, é meio termo”: as aspirações dos três grandes na Europa

[Recuperação de um arquivo desaparecido, com a publicação de artigos que, ao longo do tempo, foi escrevendo para o Expresso. Este foi escrito em dezembro de 2018.]

Para além de irem defrontar equipas portuguesas na próxima ronda das competições europeias, AS Roma, Galatasaray e Villarreal têm mais um ponto em comum. Todas as três equipas vivem temporadas abaixo das suas expetativas. Para os romanos, é certo que as meias-finais da temporada passada apontam um nível desmedido para qualidade do seu plantel, sobretudo depois da saída de Alisson Becker, mas o FC Porto pode enfrentar os oitavos de final da Liga dos Campeões com a segurança de competir igual por igual com este adversário.

Na Liga Europa, o Galatasaray lambe as mesmas feridas que o Benfica, ambos afastados da prova dos milhões depois de não terem mostrado capacidades para ficar entre os melhores. Mas o quinto lugar numa SuperLig turca onde tem, sempre, a obrigatoriedade de lutar pelo título pesa forte sobre as ambições do conjunto orientado pelo conhecido Fetih Terim. Já o Villarreal vive uma época europeia a navegar por lugar bem perto da descida em LaLiga, uma situação que já levou à troca de treinador e que deverá, também, implicar algumas mexidas no plantel em janeiro. Mas o potencial que a equipa apresenta e o tempo que falta até que chegue fevereiro poderá ser suficiente para complicar as contas ao Sporting.

Parafraseando uma das últimas músicas de Samuel Úria, este sorteio acabou por se quantificar num “é tanto, é pouco, é meio termo” para as equipas portuguesas. Nenhuma destas equipas coloca desafios inultrapassáveis, tal como nenhuma estava no lote das mais fáceis à partida. O relógio já começou a contar os dias até aos jogos da primeira mão, entre 12 e 14 de fevereiro. Porque, tal como para os seus adversários, também as equipas portuguesas têm caminho para melhorar.

Roma com janela para os quartos

O FC Porto volta a um lugar onde já foi feliz. No verão de 2016, com Nuno Espírito Santo como treinador, os portistas ultrapassaram a equipa da capital italiana no playoff de acesso à Liga dos Campeões, carimbando uma das surpresas da ronda. Dois anos e meio depois, as forças parecem mais equilibradas. A Roma já não tem Alisson na baliza, nem Salah na frente de ataque, enquanto o FC Porto encontrou uma identidade e maturidade que lhe permitem apresentar-se na Europa com capacidade para assumir o estatuto de cabeça-de-série. Sendo certo que, na época passada, a AS Roma atingiu as meias-finais da Liga dos Campeões, a presente temporada iniciou-se como uma cópia, a negativo, do alcançado há poucos meses atrás.

Ocupando o sexto lugar da Série A italiana, a Roma terá como principal preocupação a capacidade de regressar a um lugar de acesso à Liga dos Campeões, numa competição onde velhos rivais como o AC Milan e a Lazio se vão impondo, para já, nessa corrida. A fase de grupos da Liga dos Campeões também não foi a mais famosa, cumprindo objetivos mínimos ao vencer os dois jogos perante o CSKA Moscovo e o Viktoria Plzen em casa. Mas três derrotas somadas deixam muito por dizer sobre um plantel que tem muitas opções, mas não aparece, ainda, explorado ao seu melhor.

Eusebio Di Francesco tem procurado dinâmicas em linhas de três ou quatro defesas, mas sem se fixar num sistema que retire o melhor da sua identidade, um conjunto que procura verticalidade e capacidade de reagir perante adversários mais fortes. Quando exposto à necessidade de tomar a iniciativa, a equipa sofre. A capacidade de drible de Cengiz Under e de Stephan El Shaarawy, alimentando o finalizador Edin Dzeko são as principais armas ofensivas. Os metrómenos de Bryan Cristante e Steven N’Zonzi no meio-campo ditam ritmos na saída para o ataque. A projeção ofensiva dos lateral-direito Alessandro Florenzi e as bolas paradas de Aleksandar Kolarov são outros elementos a ter em conta. Tal como a profundidade de um banco que pode ter Justin Kluivert, Daniele de Rossi ou Javier Pastore. Até dezembro, o desafio dos romanos é voltar a encontrar a chave para serem uma equipa perigosa.

A quem perturba a emotividade turca?

Mais uma viagem à Turquia para a equipa do Benfica que, no início desta temporada, na terceira pré-eliminatória de acesso à Liga dos Campeões, ultrapassou um Fenerbahce que, em perspetiva, vai fazendo uma das piores temporadas da sua história. O sorteio da Liga Europa coloca-lhe pelo caminho o Galatasaray, que também não segue na frente da SuperLig turca, sendo apenas quinto classificado, e que é uma cara bem conhecida dos portugueses por ter caído na Liga dos Campeões aos pés do FC Porto. Ou seja, as equipas portuguesas levam grande superioridade perante as equipas turcas nas competições deste ano.

O Benfica jogou apenas uma vez no terreno do Galatasaray, em 2015/16, tendo então perdido por uma bola a duas. Para Rui Vitória, no entanto, a principal luta que terá até fevereiro vai bem mais para lá da preocupação com a Liga Europa. Uma equipa à procura de consistência é aquilo que tem entre mãos, prevendo-se muito trabalho para poder exercer o seu natural favoritismo na eliminatória que terá pela frente. Começará a jogar fora mas, o certo, é que a emotividade dos estádios turcos nem sempre funciona a favor da casa. Na presente temporada, apenas o Lokomotiv Moscovo caiu na visita a Istambul.

As principais qualidades individuais do conjunto orientado por Fatih Terim centram-se na capacidade de controlo de ritmo de jogo imposta por Badou N’Diaye, um médio-centro senegalês que transforma a equipa sempre que está em campo, bem como na imprevisibilidade lançada pelo drible de Sofiane Feghouli e Garry Rodrigues, a partir das faixas. Na frente de ataque, o suíço Eren Derdiyok é mais um lutador do que um finalizador, enquanto o resto da equipa procura, acima de tudo, a experiência de jogadores como Muslera, Mariano, Nagatomo, Maicon ou Fernando, estes dois últimos com passagens pelo FC Porto, para tentar competir. Ainda que seja uma equipa com capacidade de assustar, este Galatasaray estará ao alcance do melhor Benfica, se o melhor Benfica for a equipa que aparecer para jogo em fevereiro.

Submarino amarelo em águas baixas

A competitividade de início de temporada na Liga Espanhola oferece-nos casos de sucesso, mas também tem custado a conjuntos que partiam com elevadas expetativas um calendário de desilusões. O Villarreal vê-se, ao fim de dezasseis jornadas, a lutar pela manutenção na LaLiga, tendo vencido o Grupo G da Liga Europa somando apenas duas vitórias e quatro empates perante equipas de segunda linha como o Rapid Viena, o Glasgow Rangers ou o Spartak Moscovo. O Sporting de Marcel Keizer adoraria defrontar a equipa espanhola esta semana. O problema é perceber que, até fevereiro, haverá tempo para o Submarino corrigir a rota.

Javi Calleja saiu recentemente do comando técnico da equipa e será Luís Garcia o responsável por tentar reparar as fugas que afetam a equipa amarela. No plantel, há talento suficiente para virar o caminho da história. O craque Pablo Fornals, o canhoto Alfonso Pedraza e os avançados Gerard Moreno e Karl Toko Ekambi são atletas com potencial para elevar o rendimento coletivo da equipa. No plantel, a experiência de jogadores como Carlos Bacca e Santi Cazorla, esperam também poder elevar o rendimento de uma equipa que tem estado irreconhecível. Miguel Layún e o guarda-redes Andrés Fernández marcam as ligações com o futebol português no conjunto que joga em casa no La Cerâmica.

O Sporting nunca defrontou a equipa do Villarreal em partidas oficiais, tendo ainda que enfrentar o peso histórico de nunca ter ganho um encontro oficial em Espanha. Também por isso, ao começar em casa a eliminatória do próximo mês de fevereiro, terá que contar com um resultado favorável para conseguir quebrar o enguiço que as equipas do país vizinho sempre têm representado. Mas, ainda assim, e tendo em conta os tubarões que navegavam entre os cabeças-de-série da Liga Europa, o meio termo será, de certa maneira, do melhor que se poderia esperar para os leões nos dezasseis avos de final da competição.

Comentários

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.