Carta de achamento do treinador português por terras de além-fronteiras [Artigos do Expresso]

[Recuperação de um arquivo desaparecido, com a publicação de artigos que, ao longo do tempo, foi escrevendo para o Expresso. Este foi escrito em fevereiro de 2019.]

Do que hei-de falar começo e digo: o treinador de futebol português é, pelos nossos dias, respeitado e desejado nas mais diversas latitudes e longitudes, por demonstrar capacidade de conquista, por lhe ser reconhecido conhecimento e escola, por se ter mostrado capaz de adaptar aos mais diferentes contextos locais. Por isso o encontramos nos principais campeonatos de clubes e nas grandes provas de seleções, por isso existem portugueses envolvidos na formação de jogadores um pouco por todo o mundo, por isso, na formação de treinadores, existem hoje grandes referências que são lidas e traduzidas em diferentes línguas.

O achamento do treinador português é sentido, no estrangeiro, como algo recente, deste nosso tempo. Os títulos de José Mourinho na Liga dos Campeões e em três das grandes ligas europeias, o título europeu de seleções de Fernando Santos, a profusão de técnicos em tantas outras equipas nacionais, com Carlos Queiroz acima de todos, pelas grandes exibições táticas conseguidas nos Mundiais, ajudaram a abrir portas que, hoje, Leonardo Jardim, André Villas-Boas, Paulo Fonseca, Marco Silva e Nuno Espírito Santo ajudam a manter abertas. Mas nem só de grandes ligas e grandes conquistas se faz esta viagem de descoberta da qualidade do treinador português, da mesma maneira que há um histórico que nos conduziu até aqui. E ainda que o saiba fazer pior que todos (salvé Pêro Vaz de Caminha), eis que começo o meu relato.

“Vinham todos rijamente”

Herança e visão de futuro, aconteceu nos anos 80 no futebol português. No ISEF, Jesualdo Ferreira lidera o processo de criação de uma cadeira de Futebol no currículo académico. É neste processo que se verão envolvidos, nos anos seguintes, nomes como Jorge Castelo, Arnaldo Cunha, Rui Mâncio ou Nelo Vingada, ao qual se juntou um aluno que viria a passar a assistente, Carlos Queiroz. A norte, José Maria Pedroto tinha estado ligado a muito do se transformava em ideia de modernidade, indicando Artur Jorge, que havia sido seu adjunto, para o suceder como treinador no FC Porto. Vítor Frade, qantigo colega de Jesualdo Ferreira no ISEF, era professor na Universidade do Porto e assumiria, no final da década, a coordenação do futebol de formação do FC Porto. Eis a unidade de base desta história.

Continua a ser este, hoje em dia, o núcleo duro do pensamento do treinador português. Porque das tensões geradas pela discussão em volta do conhecimento do jogo, nasceram três escolas que, em Portugal, desenvolvem filosofias próprias a partir de uma mesma visão inicial, no triângulo entre Porto e as duas escolas de Lisboa, a da Faculdade de Motricidade Humana e a da Universidade Lusófona. Um conhecimento rico que redesenhou a forma como se vê o jogo, como se preparam os treinadores, como se revolucionou, bem para lá das fronteiras portuguesas, a forma como se entende o futebol. Mas enquanto as bases se transformavam em efervescência, faltava ao futebol português a capacidade de se apresentar ao mundo. Se sempre o talento do jogador português tinha tido palco, nenhum dos grandes sucessos do nosso futebol antes dos anos 80 tinha tido a marca de um técnico português ao comando. O Europeu de 1984 foi a primeira prova de séniores a ter uma seleção portuguesa liderada por treinadores nacionais. Mas não um só, antes uma comissão de quatro figuras.

1987 marca o primeiro grande título de um treinador português. O FC Porto conquista a Taça dos Campeões Europeus com Artur Jorge ao leme. A história do Rei Artur é, também ela, singular. Nascido no Porto, brilhara como jogador na Académica e no Benfica. Foi estudante de Filosofia em Coimbra e fez a sua graduação de treinador em Leipzig, na República Democrática Alemã. Foi líder sindical e adjunto de José Maria Pedroto. Foi campeão nacional pela primeira vez com 38 anos e tinha 41 quando se jogou a final de Viena. Isso valeu-lhe uma experiência em França, com o Matra Racing, mas só depois de ter regressado ao Porto, e ter passado pelo comando da seleção nacional portuguesa, é que voltou a Paris para continuar a abrir caminhos para os treinadores portugueses. Em 1994 é campeão com o PSG, o primeiro título de um português num dos campeonatos de topo europeus. Valdo, Raí, Ginola e Weah eram algumas das estrelas dessa equipa.

Mas nos anos 90 já Portugal andava nas bocas do mundo do futebol. Carlos Queiroz liderara a seleção de Sub-20 a dois títulos mundiais, coadjuvado por Nelo Vingada. A revolução académica chegava aos escalões de formação portugueses, lançando uma Geração de Ouro que viria, também, a ser fundamental para uma nova onda de reconhecimento do jogador português, desta feita vagando os efeitos da Lei Bosman. O novo treinador português e o novo jogador conquistavam os escalões de formação e apontavam, quase no imediato, para sucessos no futebol profissional. O próprio Queiroz foi escolhido para pegar nesse projeto, assumindo a seleção portuguesa sénior em 1991. Mas o caminho precisaria de um fundamento político que, à época, na Federação Portuguesa, não encontrava apoio. Carlos Queiroz acabou por sair dos quadros da Federação e iniciar uma caminhada que o levaria do Sporting para percorrer o mundo e Nelo Vingada viajava até à Arábia Saudita onde, em 1996, seria o primeiro treinador português a ganhar uma prova internacional de seleções, a Taça da Ásia.

“Saiu o Capitão-mor em seu batel”

Todas as grandes histórias têm o seu herói. E tanto mais completos são esses heróis, quanto de forma mais fina façam a síntese do mundo onde desenvolvem a sua especialidade. Filho de Mourinho Félix, treinador que nas décadas de 70 e 80 percorreu várias equipas de diferentes divisões nacionais, José Mourinho conheceu desde o berço a realidade e a tradição do treino nacional. Não tendo sido nunca um jogador profissional, sabe de cor a paleta de cheiros de balneário que visitou desde pequeno. Foi aluno do ISEF, onde contactou com a realidade revolucionária que transformava o pensamento sobre o jogo. Pela mão de Manuel Fernandes, que acompanhava há alguns anos nos seus trabalhos no Vitória de Setúbal, Estrela da Amadora ou Ovarense, chega ao Sporting, onde vai acabar por se transformar no fiel adjunto de Bobby Robson, primeiro no FC Porto e depois em Barcelona. Ali, acaba por trabalhar também com Louis van Gaal, antes de se estrear como técnico principal no Benfica.

“José Mourinho é uma escola por si mesmo”, diz-nos Leonardo Miranda, analista de futebol e colunista do Jornal Globo. “A sua passagem por Barcelona foi fundamental, lá entrou definitivamente no futebol de elite e também pôde beber de novas escolas futebolísticas, como o jogo de posição, que acabou por ser fundamental para o confronto com a sua cultura”, atira Bruno Alemany, jornalista da Cadena Ser e responsável do podcast “Play Futbol”. “O Mourinho teve tudo. Aquilo que foi buscar aos grandes líderes de quem foi adjunto, a vivência com o pai que lhe permitiu perceber a velha guarda e o apoio de Rui Faria, um grande mestre da periodização tática”, revela-nos Bruno Pereira, treinador português na Aspire Academy do Qatar. Em suma, José Mourinho acaba por ser o treinador que agrupa as diferentes escolas e influências do treinador português, sintetizando tudo na sua capacidade de agregar tropas e liderar em contextos particularmente complexos.

Assim foi no FC Porto, onde com um mês de trabalho, e depois de uma derrota frente ao Beira-Mar, anunciou que seria campeão na época seguinte. Mas não se ficou por aí. Ao sucesso na Liga portuguesa, somou a conquista da Taça UEFA e da Liga dos Campeões, nos anos seguintes, começando a abrir espaço para uma carreira sem igual até aqui, por qualquer outro treinador português. À dupla conquista europeia somou ainda o título na Premier League, com o Chelsea, na Série A, com o Inter de Milão, com quem conquistou também a Liga dos Campeões, tornando-se o primeiro português a fazê-lo numa equipa estrangeira, e ainda a Liga espanhola, com o Real Madrid. Como nos confirma Bruno Alemany, “o êxito de um treinador como Mourinho passou a funcionar como um efeito de atração” e, num espaço de dez anos, a imagem do treinador português passava a ser vista na Europa de maneira radicalmente diferente. “Ao talento futebolístico do país foi acrescentada a qualidade dos treinadores.” E descobria-se uma realidade que não voltaria a ser coberta.

“Águas são muitas; infindas”

Carlos Queiroz é um nome que, nesta história, está sempre subjacente aos acontecimentos. “A nossa forma de ensinar o jogo, a nossa forma de estruturar o jogo, ainda vem do trabalho do Queiroz, de como modificou a educação e os cursos de treinadores”, afirma Bruno Pereira. Para Bruno Alemany, Queiroz “é um autêntico mestre da tática, conseguindo níveis de organização, bom posicionamento, ajudas e concentração que poucos treinadores conseguem com a mesma regularidade.” Visto como a peça fundamental do crescimento do futebol iraniano na última década, onde marcou presença em dois mundiais e transformou todo o processo de evolução do jogador local, o que aumentou ainda mais o crédito dos técnicos portugueses no continente asiático, acaba de ser apresentado como selecionador da Colômbia, onde Leonardo Miranda o vê a desenvolver “a formação do jogador colombiano, depois de ter sido um dos melhores treinadores do último Mundial.”

A Copa América de 2019 será, assim, o último reduto a assistir à entrada de técnicos portugueses que, depois de conquistas na Ásia e na Europa, são também presença habitual na Taça das Nações Africanas. Mas a realidade do treinador de futebol português excede, em muito, os lugares de maior mediatismo. Na formação, centenas de treinadores portugueses estão espalhados pelo mundo, em África, na Ásia e na América do Norte, apesar de, segundo Bruno Pereira, não haver um planeamento ou uma organização que promova o treinador português, como existe a partir de centros de influência como Inglaterra e Espanha. Atualmente a trabalhar na Aspire Academy, no Qatar, com jovens jogadores locais, reconhece que as credenciais de outros técnicos que o antecederam ajudaram-no a encontrar ali um caminho para o seu crescimento profissional.

“Já aqui estavam algumas pessoas que tinham trabalhado comigo na Geração Benfica e havia um nível de satisfação alto com o trabalho que era feito. Pela forma como se adaptavam à ideia de jogo que era aqui defendida e também ao impacto social e climático de viver no Qatar, como também pela forma como conseguimos dominar bem o inglês. No fundo, para mim, foi uma forma de encontrar possibilidade de ser profissional e dedicar-me a 100% ao futebol, algo que em Portugal só acontecia em condições de quase escravatura. Aliás, a questão do preço também pode ser essencial para trazer mais portugueses para o estrangeiro. Estamos habituados a receber 250 ou 300 euros para trabalhar na formação. Aqui temos condições para ser profissionais.” A realidade dos treinadores portugueses alarga-se no setor de formação muito devido à forma como é entendido o pensamento do jogo.

Na transmissão dos conhecimentos de escola portuguesa para fora não existe, propriamente, uma diferenciação das várias escolas existentes no nosso país. O trabalho académico de Carlos Queiroz chega ao conhecimento de muitos devido ao seu trabalho em diferentes federações. Jorge Castelo é, hoje em dia, referência na formação de treinadores em diferentes países. Mas é Vítor Frade a grande referência reconhecida como um teórico que influencia realidades no treino e no jogo. A divulgação dos estudos de Periodização Tática conquista seguidores e influencia o pensamento sobre o jogo. Mesmo que existam diferenças entre o que vamos encontrando como resultado de duas escolas de desenvolvimento do jogo. Para Bruno Pereira, “a influência de Vítor Frade e da Periodização Tática nota-se sobretudo no universo Dragon Force, porque falamos de muitos treinadores que fazem um percurso académico e que acabaram por se afirmar no alto rendimento. Do universo da Geração Benfica, tem havido uma maior expressão através da formação.”

É, muito provavelmente, nesta área, que ainda há trabalho por fazer para a promoção do treinador português no estrangeiro. Na forma como se poderia organizar a divulgação do trabalho teórico realizado nas diversas universidades portuguesas e colocado em prática por muitos treinadores que, em Portugal e no estrangeiro, desenvolvem o seu trabalho. A maturação de processos teóricos na prática tem também já uma alargada base de testes que poderia ser transformada através dessa organização do conhecimento e criação de uma agência para encontrar mais trabalho para os jovens treinadores formados em Portugal. Daí que Bruno Pereira não compreenda a limitação que se impõe na realização de cursos de treinadores em Portugal. “Parece que existe receio de transmitir e multiplicar o conhecimento”, afirma o treinador que, atualmente, continua a sua formação na Irlanda.

“Isto tomávamos nós assim por assim o desejarmos”

Em 2010/11 lançavam-se à terra uma série de sementes que ajudariam a aumentar o lote de treinadores portugueses a merecerem reconhecimento internacional. Fernando Santos assumia a seleção da Grécia, com a qual viria a disputar o Europeu 2012 e o Mundial 2014, estabelecendo os princípios de abordagem a uma grande competição que tiveram fortíssima influência na maneira como Portugal, em 2016, acabou por conquistar o seu primeiro grande título de seleções. Fernando Santos já passara pelos três grandes portugueses, ainda que só tenha sido campeão uma vez, com o FC Porto. Passara também por três das grandes equipas gregas, AEK, Panathinaikos e PAOK, também sem ter conquistado qualquer título nacional. Mas conquistara a Federação local, pela forma aberta e dialogante como conseguia transformar as suas equipas. Num ambiente futebolístico onde as vitórias têm grande peso, Fernando Santos demorou a chegar ao cume da sua carreira, mas tem lugar seguro entre as referências do treino nacional além-fronteiras, abrindo ainda mais a esfera de personalidades diferentes assumidas pelo treinador português.

Quem também merece reconhecimento unânime é Leonardo Jardim. Em 2010/11 estreava-se na Liga portuguesa, ao serviço do Beira-Mar, numa carreira meteórica que o levaria a passar por Braga, Olympiacos e Sporting, até assumir um projeto milionário no Mónaco. A sua vida no Principado é marcada por momentos altos e baixos, muito fruto de um contexto bastante complexo. Apesar de viver numa equipa que luta por títulos num dos grandes campeonatos europeus, o perfil de clube vendedor de talentos nunca deixou de ser uma das grandes características do clube monegasco. Isso não impediu Leonardo Jardim de se sagrar campeão francês em 2016/17, interrompendo o domínio de um Paris SG de orçamentos bem superiores, ao mesmo tempo que atingiu as meias-finais da Liga dos Campeões. De Leonardo Jardim já vimos equipas de grande qualidade defensiva, mas também ataques memoráveis. É um dos melhores símbolos de uma linhagem de técnicos portugueses que “mostram uma capacidade de grande adaptação e mudança nas suas equipas, consoante os adversários e contextos”, como nos confirma Leonardo Miranda.

Foi também nesta temporada que André Villas-Boas assumiu o comando técnico do FC Porto e conquistou uma Liga Europa dominada por equipas e treinadores portugueses. Villas-Boas tem a particularidade de ser ainda um treinador bastante jovem, aos 41 anos, tendo já passado por Inglaterra, Rússia, onde venceu um título com o Zenit, e China. O futebol atrativo das equipas do antigo observador de José Mourinho cativaram adeptos, mas aos seus projetos pós-Porto faltou o brilho dos títulos. Os outros dois técnicos que atingiram momentos elevados nessa temporada não encontraram expressão fora do universo dos clubes portugueses. Jorge Jesus, que foi semi-finalista na Liga Europa com o Benfica nessa temporada, ainda atingiu a final da competição por duas vezes, em 2013 e 2014, mas à parte de uma experiência recente na Arábia Saudita fez todo o seu percurso em Portugal. Domingos Paciência, finalista em Dublin frente ao FC Porto comandando um surpreendente SC Braga, também acabou por não encontrar reconhecimento nas suas aventuras fora de portas.

“Deste Porto seguro”

“Estudioso, meticuloso, racional.” Leonardo Miranda define assim a visão do treinador português admirada no estrangeiro. E se José Mourinho continua a ser a grande referência, enquanto espera por um novo projeto, e Carlos Queiroz continua o seu caminho a desenvolver o futebol em diversos cantos do mundo, Leonardo Jardim, de regresso ao Mónaco, é só um dos que mantém, hoje em dia, o português no centro da discussão dos treinadores. Na Ucrânia, Paulo Fonseca vai aumentando um estatuto que o faz ser reconhecido como um dos “defensores da escola do modelo de jogo, no qual a equipa precisa de dominar todas as fases do jogo e tenta impôr essa visão ao rival”, como nos refere o analista brasileiro. A Liga dos Campeões tem sido o seu palco de revelação, acabando por ser referido, de forma cada vez mais intensa, como um técnico que merecerá ter uma oportunidade num dos campeonatos de topo.

Já aí se vai sentindo a presença da influência portuguesa. Na Premier League, Carlos Carvalhal ganhou destaque com a sua passagem pelo Swansea, onde revitalizou uma equipa que parecia condenada, mas são os trabalhos de Marco Silva, no Watford e no Everton e a aparição de Nuno Espírito Santo com o Wolverhampton na atual edição da prova que comprovam haver, em Portugal, muito mais para explorar no que toca a treinadores. Essa linhagem parece, aliás, continuar a promover oportunidades, como as que foram concedidas a Miguel Cardoso, que esta temporada começou nos franceses do Nantes e lidera, agora, o Celta de Vigo na Liga espanhola.

O mercado asiático mantém o treinador português com alto crédito. Rui Vitória e Pedro Emanuel trabalham na Arábia Saudita, num campeonato que também já experimentou Jorge Jesus, Hélder Cristóvão e Paulo Alves. Na Liga Chinesa, Vítor Pereira foi campeão em 2018 e prepara novo ataque ao título com o Shangai SIPG. Jesualdo Ferreira lidera o projeto do Al-Sadd, do Qatar, onde Rui Faria assumiu recentemente o Al-Duhail. José Morais também assinou recentemente pelo Jeonbuk Motors, da Coreia do Sul. E para além de Carlos Queiroz, também Paulo Bento, ao comando da seleção coreana, marcou presença na recentemente realizada Taça da Ásia. Em África, Paulo Duarte, com o Burquina Faso, e Abel Xavier, com Moçambique, espreitam a possibilidade de estarem presentes na próxima Taça das Nações Africanas. O continente onde Manuel José se transformou em figura histórica ao conquistar quatro Ligas dos Campeões Africanos com os egípcios do Al-Ahly. A lista é interminável, alcança um número grande de países e alarga-se, bem para lá dos treinadores principais, a muitos outros que integram as respetivas equipas técnicas.

Para Bruno Alemany, “o factor nacionalidade abre, hoje, muitas portas aos portugueses. Portugal é um país que mostrou estar um passo à frente de outros países na hora de gerar treinadores de elite. Aquilo que têm em comum é a capacidade de estarem bem organizados e serem contundentes no momento defensivo.” Uma história que começou lá atrás, na forma como se revolucionou o ensino do jogo na universidade. Que encontrou gente com ideias e ambição para as levar para lá das fronteiras que lhes eram colocadas. Que não se deteve para descobrir contextos de trabalho que lhes permitem continuar a evoluir. No fundo, uma história de como uma filosofia se pode expandir, na sua prática, bem para lá do seu pensamento e reduto original. Ou, de outro ponto-de-vista, de uma indústria que se soube fortalecer apostando na formação e conhecimento. Deste porto seguro, dá para perceber muito bem as pistas que nos oferece a forma como foi “achado” o treinador português em terras de além-fronteiras. E promete não ficar por aqui.

Comentários

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.