Bem-vindos ao mês do futebol feminino

O mês de julho fica marcado pela realização do Euro 2022 de futebol feminino, prova que irei acompanhar, em trabalho, para a Antena 1, que fará as transmissões dos jogos de Portugal. Ao mesmo tempo, abriu-se a oportunidade para entrar no universo do futebol no feminino, pelo que vou produzir mais uns quantos conteúdos para acompanhar uma prova que foi encontrando forma de fazer o seu caminho e evolução, encontrando-se, em 2022, num claro momento de afirmação.

O futebol feminino nunca foi, para mim, uma estranheza, pelo contrário, estranho era que não existissem mais equipas e competições. Na minha memória, pelos anos 80, estão alguns jogos do futebol feminino do Torreense, equipa que vi atuar no Campo Manuel Marques, aos meus olhos, com as mesmas qualidades e possibilidades das outras equipas que ali jogavam. Há uma história por escrever, sobre o futebol feminino popular que, nessas épocas, floresceu um pouco por todo o país, à boleia do entusiasmo que por toda a Europa tomava a modalidade, empurrada pela FIFA e pela UEFA a ser organizada pelas respetivas federações.

Nos anos 90 começaram as transmissões televisivas das principais competições de futebol feminino, em Portugal chegando por via do Eurosport, que foram permitindo perceber de onde vinhas as craques do jogo. A americana Michelle Akers, que marcou dois golos na primeira final de um Campeonato do Mundo oficial, e a alemã Birgit Prinz, durante provas sucessivas a artilheira de uma eterna campeã europeia Alemanha, foram as duas principais figuras que me ficaram na memória pela forma como dominavam o jogo. Mas a evolução do futebol feminino fez-se pelo aumento da qualidade técnica das jogadoras e, entre as expressões de jogo coletivo vindas dos Estados Unidos e da Escandinávia e o aparecimento do perfume de jogo das canarinhas, acabou por guardar lugar no espaço de curiosidade que leva qualquer apaixonado pelo futebol a não resistir a acompanhar um jogo.

O Europeu de 2017 e o Mundial de 2019 marcaram definitivamente o crescimento do futebol feminino, aproveitando a onda que permitiu, na Europa, a profissionalização da Liga Inglesa e o desenvolvimento da Liga dos Campeões, enquanto nos Estados Unidos a NWSL parece permitir alguma sustentabilidade e futuro para uma liga profissional na América do Norte. É neste fio condutor que Portugal conseguiu o seu primeiro apuramento para um Europeu, em 2017, voltou a somar um sucesso ao nível da formação, com as meias-finais do Europeu Sub-17 em 2019 e tem conseguido crescer através de uma Liga Feminina que tem um eco mediático nunca antes visto e alguns projetos de profissionalização que permite a muitas jogadoras portugueses manterem-se no país.

A luta pelo direito à prática do futebol por mulheres, no entanto, ainda não terminou. A profissionalização do jogo ainda está bastante limitada nas condições que são oferecidas à maioria das praticantes e esse é um problema que impede que mais mulheres e raparigas possam aceder à modalidade que tanto amam. Ao mesmo tempo, a forma como o jogo é visto, quase sempre perante a limitação da comparação com a versão masculina, apequena uma existência que tem direito próprio. O futebol feminino deve continuar a crescer e a encontrar formas de evoluir, dentro de um quadro social e cultural que é próprio e definidor da sua identidade. Porque como refere Suzanne Wrack no seu recente A Woman’s Game, para uma mulher “o mero ato de jogador futebol é, inequivocamente, um ato feminista”.

Futebol Feminino na Antena 1

Por estes dias, nos noticiários desportivos da Antena 1, vou estar a lembrar algumas datas importantes do futebol feminino em Portugal. Hoje lembro a visita das Manchester Corinthians a Lisboa.

One thought on “Bem-vindos ao mês do futebol feminino

  1. O canal 11 tinha anunciado a transmissão de todos os jogos do Euro 2022 (exceto os da seleção portuguesa que irão passar na RTP 1). Segundo sei, contudo, o canal já não irá transmitir esses jogos. Se for verdade é um incrível passo atrás. Além disso, se a seleção não se apurar para os quartos-de-final a RTP corta drasticamente o número de jogos em directo que irá transmitir… Aprecio o seu empenho em valorizar o evento e o futebol feminino, mas está visto que não vamos longe.

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