Mercado, tempo e decisões

Nem sempre as decisões da estrutura facilitam a composição final de um plantel. Numa competição onde as diferenças residem em pequenos pormenores, ter mão sobre os planos possíveis é uma forma de conquistar vantagem.

Sobreviver numa estrutura que não tomou a melhor decisão

No futebol profissional, os balanços fazem-se com o campeonato a decorrer. Não existem paragens ou momentos mortos onde seja possível baixar a guarda e refletir longamente sobre o peso de cada opção tomada ao longo do caminho. O campeonato é exigente e misturado, na agenda, com provas europeias e taças nacionais. Quando o campeonato pausa, existem contratos a renovar, contratações a fazer, numa dinâmica permanente de afinar plantéis que dependem de pequenos pormenores. É, nas principais provas, cada vez mais difícil de encontrar aquele jogador que modifica totalmente o enquadramento de um conjunto. É como se os treinadores de futebol, cientes da capacidade de todos os concorrentes para encontrar as melhores massas, tenham concluído que o segredo do sucesso está, definitivamente, no molho.

Qualquer treinador dos três grandes portugueses tem consciência de que trabalha em cima das decisões que a sua estrutura toma. Numa Liga periférica em relação aos grandes milhões, dependente de vendas para manter a sua periclitante sustentabilidade, aquilo que podem esperar é que as vendas sejam realizadas o mais cedo possível, as contratações essenciais cheguem o mais cedo possível e que, pelo meio, existam condições para ir encontrando soluções de cobertura para esta ou aquela eventualidade. O mercado ainda não fechou, e é sempre difícil falar definitivamente sobre ele quando algo pode acontecer, mas é caso para dizer que o FC Porto parece ter sido o conjunto que melhor acautelou a realidade onde se encontra. O Benfica aproxima-se da derradeira semana a fechar os jogadores que quer ter, ansiando não perder os titulares que o treinador preparou desde o início da pré-época. Ao Sporting calhou, esta época, ter que lidar com a procura soluções impostas por se ter falhado o timing da melhor decisão na forma de gerir o seu plantel.

A lista de compras é uma peça do jogo

A gestão dos tempos de aquisição de jogadores não é um problema apenas das ligas periféricas. Uma das realidades do capitalismo é a criação constante de elites e periferias e, por isso mesmo, o enquadramento atual das ligas europeias vive numa espécie de hierarquização do poderio financeiro que condiciona a competitividade logo à partida. Ou seja, no momento de compor o plantel. Por exemplo, a Premier League domina todo o panorama das contratações do mercado, com poucas exceções, mas até no seu seio se pode falar de conjuntos de elite e de periferias. O que cada clube tem que gerir é o seu próprio equilíbrio nessa Torre de Babel dos milhões. Todos correm riscos e impõem riscos a outros.

As telenovelas criadas pelo mercado de transferências acabam por criar um interesse particular pela forma como impacta em todo o edifício do futebol. As contratações mais pensadas e ponderadas tendem a ser a base dos plantéis melhor formados. Em muitos momentos ao longo dos períodos de mercado, as oportunidades surgem e tendem a poder modificar a composição desta ou daquela equipa. Pelos jogadores que são envolvidos em negociações ou por aqueles que, tendo em conta novas chegadas, acabam por se ver empurrados para fora das equipas onde se sentiam estáveis. Ao longo do tempo vai aumentando a ansiedade e, com ela, a probabilidade de ser adquirido um jogador que só muito tarde entrou nos planos da equipa. É nesses casos que pesa mais sobre a estrutura o peso da decisão.

Sendo que os agentes de jogadores continuam a ter imenso peso na direção que os jogadores tomam neste mercado, todos os clubes possuem, também, departamentos de scouting que são essenciais para manter um certo equilíbrio e orientação na selva do mercado. A manutenção de longas listas de jogadores, com prioridades definidas consoante as opções da equipa e os desafios das competições, é um trabalho que permite encontrar resposta rápida para os casos de menor tempo para a tomada de decisão. O problema é que em início de temporada, estamos a olhar para dados da época anterior, sendo muito difícil de afinar o impacto da mudança de época num determinado jogador. Com um curto espaço de tempo para fazer a melhor compra, a forma como essas listas são determinadas, e a força que detém no confronto com dirigentes e agentes, podem fazer toda a diferença na força que um plantel terá para abordar o campeonato.

Muitos jogos para acompanhar com atenção

Pedindo desculpa pelo texto desta semana só sair à sexta-feira, é já hoje que vou estar a acompanhar o Ajaccio – Lille, com Paulo Fonseca. No sábado, passo pelo Soutahmpton – Manchester United e pelo Sporting – Chaves, enquanto no domingo retomo LaLiga para um Barcelona – Valladolid, que terá seguimento na segunda-feira com o Valencia -Atlético de Madrid. Jogos internacionais para acompanhar nos canais da Eleven, futebol nacional na sintonia da Antena 1.

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