Um diário sobre tudo o que se passou durante a edição de 2012 da Taça das Nações Africanas.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O dia em que a Zâmbia vingou o passado
Numa final a todos os títulos memorável, a Zâmbia conquistou a sua primeira Taça das Nações Africanas. Para a história, ficará a última grande penalidade, marcada por Sunzu, a fechar os 8-7 que bateram a Costa do Marfim. Para a memória do futebol, uma série de momentos únicos.

Rodeado de uma atmosfera emocional, este jogo já prometia muito antes de começar, fosse pela vontade da Costa do Marfim vencer um troféu com a sua melhor geração de sempre, fosse pelo percurso da Zâmbia, a voltar a Libreville 19 anos depois de uma tragédia ter morto a quase totalidade da sua seleção.

O primeiro grande momento do jogo foi de tristeza. Joseph Musonda, lateral esquerdo que vinha fazendo uma CAN de grande qualidade, lesionou-se e teve que abandonar o terreno de jogo, em lágrimas, logo aos 10 minutos de jogo. Podia parecer uma nuvem negra que assolava a equipa zambiana, mas dos pés de Chris Katongo, Mayuka e Kalaba saía um perfume inconfundível de quem se sente inspirado a conquistar algo de maior.

A primeira parte pendeu, assim, para o lado zambiano, mesmo que os marfinenses não deixassem de mostrar quão forte era o seu conjunto, fosse pela excelente exibição de Yaya Touré na zona intermediária, fosse pela presença ameaçadora de Gervinho e Drogba na linha da frente. O empate era um resultado justo, ao intervalo, mas o bom jogo que decorria no relvado merecia golos.

A história da segunda parte foi bastante semelhante, mas com a Costa do Marfim a dominar. A equipa da Zâmbia ia recuando e parecia menos capaz de criar tanto perigo na frente, enquanto os elefantes pareciam decididos a ganhar e assumiam as responsabilidades do jogo. Aos 70 minutos, surgiu a grande oportunidade para a Costa do Marfim se colocar na frente. Grande penalidade assinalada por falta sobre Gervinho, mas Didier Drogba atirou por cima. Um balão de ar oferecido à Zâmbia que passou a acreditar mais nas suas possibilidades.

Um grande jogo merecia, claro, mais de 90 minutos. E durante o prolongamento, nenhuma das equipas parecia querer entregar-se à sorte das grandes penalidades, sendo que ambas já tinham refrescado a sua frente de ataque, Hervé Renard fazendo entrar Félix Katongo e Francis Zahoui chamando Bony. As duas equipas criaram oportunidades mas a final estava destinada a ser decidida da forma mais dramática possível.

Ninguém parecia querer falhar até que, à oitava penalidade, e depois de alguma hesitação entre os marfinenses, Kolo Touré avançou para a bola e rematou, fraco, a permitir a defesa de Mweene. Kalaba teve oportunidade de escrever o seu nome a letras de ouro na história zambiana, mas também desperdiçou a sua oportunidade. Gervinho, chamado a marcar a nona penalidade da Costa do Marfim, atirou por cima. Coube então a Sunzu, jovem jogador do TP Mazembe, a honra de ser o marcador do golo decisivo.

Inesquecível o espírito de um grupo que encarou as grandes penalidades de braços dados e cantando. Inesquecível a festa que se seguiu. Inesquecível a forma como o treinador Hervé Renard caminhou com Musonda, que saíra lesionado, ao colo, permitindo que também ele se juntasse à festa. Inesquecível ver Bwayla, sobrevivente da geração de 93 e atual presidente da federação, saltar e abraçar-se aos jogadores como se fosse um deles. O fascínio do futebol faz-se com momentos destes.

A Zâmbia conquistou a primeira CAN da sua história. Viva a Zâmbia!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Zâmbia e Costa do Marfim: na final, para ganhar
O encontro entre os Elefantes marfinenses e os Chipololo zambianos não seria a final mais esperada desta Taça das Nações Africanas. No entanto, ambas chegam ao último dia como hipóteses de conquistar o título com toda a justiça. Quem sairá com a Taça?

Há um claro favorito para o jogo de domingo. Costa do Marfim. Todas as previsões esperavam ver a seleção de Drogba na final e muitos deles sempre acreditaram que seriam os marfinenses a conquistar a CAN 2012. Cinco jogos depois, com nove golos marcados e nenhum golo sofrido, a equipa orientada por François Zahoui chega ao jogo decisivo à custa das suas maiores estrelas e de um realismo tático admirável.

O técnico marfinense cedo avisou para os perigos de uma competição onde os excessos de confiança, tradicionalmente, são punidos com uma eliminação precoce. E sem dúvida que uma equipa que tem a dupla de irmãos Touré a coordenar a ação defensiva, tem garantias de poder chegar longe. Brilhante, é chegar à final sem sofrer golos.

Para os marcar, tem faltado à Costa do Marfim a mesma harmonia ofensiva. No entanto, abundam as estrelas no ataque dos Elefantes e as vitórias foram sendo alcançadas naturalmente, seja com o contributo de Drogba ou Gervinho. O avançado do Chelsea será mesmo o marfinense com mais urgência na conquista deste troféu. À beira de completar 34 anos, será uma oportunidade de ouro para fechar a sua carreira na seleção. Caso contrário, será quase certo vê-lo de novo em 2013 na África do Sul.

Quem enfrentou esta CAN como um momento histórico foi a Zâmbia. O colorido do seu jogo e a mestria de Hervé Renard eram aguardadas, embora poucos arriscassem que Senegal e Gana ficassem pelo caminho depois de jogar com os Chipololo. Mas o que tem estado mesmo na cabeça de todos os zambianos é o ano de 1993. A morte de quase toda a equipa zambiana ocorreu em território gabonês, bem perto do estádio onde se irá realizar a final. Atingir esta etapa era uma ambição coletiva que foi atingida com muita maturidade.

Kalusha Bwayla, único sobrevivente dessa geração de 93 e atual presidente da federação, é uma presença constante junto da equipa. Hervé Renard soube ir adaptando a forma de montar a sua equipa consoante o adversário, criando surpresa e dificultando, em muito, a tarefa de quem os encontrou pela frente. E dentro de campo há muito talento, curiosamente, nenhum em grandes ligas europeias.

Katonga, Kalaba e Mayuka são jogadores de grande categoria técnica e quem tem aparecido nos momentos decisivos. Mas muita atenção à dupla de jovens jogadores do TP Mazembe, Hamonde e Sunzu. Caberá a estes dois jogadores a espinhosa missão de evitar que a Zâmbia sofra golos frente ao ataque mais poderoso da prova. Caso o consigam, a festa será certamente zambiana. De uma forma ou de outra, ambos estarão perto de conseguir lugar em equipas europeias, no próximo verão.

Um jogo grande, entre duas equipas bem construídas e atraentes. A promessa, segura, de muita emoção e imprevisibilidade no resultado.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Gana e Costa do Marfim: confirmar as evidências?
Os dois grandes favoritos à vitória na Taça das Nações Africanas enfrentam, na tarde de hoje, o último obstáculo rumo à final. Para Zâmbia e Mali, duas equipas muito consistentes, joga-se o manter do sonho de conseguir conquistar a Taça pela primeira vez.

Goran Stevanovic, técnico que passou por Portugal enquanto jogador, foi muito claro em relação ao futuro da sua equipa neste torneio: “ver o Gana na final é o mínimo que se espera desta equipa”. A equipa ganesa não conseguiu ainda demonstrar o brilho de épocas anteriores nesta CAN. Passou, sem dificuldades, pelo grupo D, dando a ideia de que conseguia controlar os seus adversários sem se esforçar. Nos quartos de final, a Tunísia, com o seu jogo calculista, conseguiu levar a decisão para o prolongamento, mas André Ayew soube como aproveitar o deslize infantil do guarda-redes tunisino. Agora, frente a Zâmbia, que tem sido uma das equipas com um futebol mais apaixonante desta competição, embora não descure a segurança defensiva, será um adversário bem mais complicado de ultrapassar, pela multiplicidade de perigos que pode causar.

Hervé Renard é um homem feliz por estar de regresso ao lugar onde já fora feliz em 2010. Depois de levar a equipa zambiana aos quartos de final pela primeira em 14 anos, Renard imita agora as glórias da geração de 90, aparecendo nas meias-finais como um concorrente sério ao jogo decisivo. Katongo e Mayuka são setas apontadas à baliza ganesa, mas as grandes revelações zambianas estão no reduto mais recuado, onde os jovens Himonde, Lungu e Sunzu garantem a estabilidade do conjunto. Espera-se assim uma partida bem disputada, sobretudo na intermediária, com a vitória a pender para os atacantes que aproveitarem melhor as oportunidades criadas. E Asamoah Gyan ainda só marcou um golo neste torneio…

Na outra partida das meias-finais, a Costa do Marfim enfrenta o vizinho Mali e terá o primeiro grande teste ao seu favoritismo nesta competição. A entrada na CAN não foi brilhante, mas garantiu vitórias e uma passagem pela fase de grupos sem sofrer golos, algo que conseguiu confirmar frente à Guiné Equatorial nos quartos de final. As principais estrelas têm marcado presença e mostrado eficiência, com Drogba a marcar golos que valem vitórias. Ainda assim, François Zahoui chega a este jogo com uma postura de desconfiança em relação ao adversário maliano.

Alain Giresse tem uma longa experiência no futebol africano e a forma do Mali jogar demonstra um saber adquirido à frente de clubes e seleções do continente. Seydou Keita é o seu braço dentro de campo. O experiente médio do Barcelona tem liderado a equipa, não só em termos de jogo, mas como alma de um país em guerra. Ao referir o povo maliano no momento da vitória frente ao Gabão, Keita mostrou bem qual o estado de espírito que reina dentro do grupo.

Maiga é um trabalhador incansável na frente de ataque, mas ainda não marcou. Ainda assim, o Mali mostrou ser uma equipa muito forte a aproveitar as fragilidades adversárias, para além de ter conseguido recuperar de uma desvantagem frente ao país organizador. Frente ao Gabão, Cheick Diabaté entrou muito bem e poderá mesmo ganhar um lugar entre os titulares. Cédric Kanté e o guarda-redes Diakité têm dado muita segurança a uma equipa que pode mesmo mudar o rumo das previsões para este torneio.

Dois jogos de luta tática e inspiração, ao ritmo das estrelas africanas.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Mali e Gana são os outros dois semi-finalistas
Depois das vitórias “fáceis” do dia de ontem, os jogos relativos aos quartos-de-final disputados nesta tarde de domingo foram bem mais demorados.

O Mali conseguiu o bilhete para a próxima fase ao bater o Gabão por 5-4 nas grandes penalidades, isto depois de ter salvo o empate bem perto do final dos 90 minutos. A equipa gabonesa tinha o apoio do seu público, que enchia o estádio em Libreville, e entrou mais contundente no jogo, tendo encontrado pela frente um conjunto maliano que tinha a lição bem estudada e foi evitando o golo dos homens da casa.

O esperado tento acabou por surgir já depois do intervalo, com Mouloungui a colocar o estádio em êxtase. Gernot Rohr, treinador do Gabão, sentiu que tinha a passagem na mão e tomou precauções, refrescando a frente de ataque com a entrada de Marcolino para o lugar do experiente Cousin. Apesar de ser uma decisão lógica, a saída do jogador mais respeitado do Gabão acabou por marcar a partida, já que os malianos se foram soltando e, já com Yatabaré e Cheick Diabité em campo, conseguiu o golo do empate aos 84 minutos, com este último a fazer um movimento de verdadeiro ponta-de-lança para levar o jogo para prolongamento.

Os 30 minutos extra não tiveram grande história, com ambas as equipas a tentarem assegurar que não sofriam golos. O drama chegou no momento das grandes penalidades. Com o Mali a marcar em todos os cinco remates a que teve direito, coube a Pierre Aubameyang a desilusão da tarde, já que o jovem prodígio gabonês permitiu a defesa de Diakité, deixando a sua equipa pelo caminho. A jovem estrela saiu do terreno de jogo cabisbaixo e a chorar, juntando-se à galeria de craques que falharam penaltis em partidas decisivas.

Quem também garantiu lugar entre as quatro melhores equipas do continente foi o Gana, depois de vencer a Tunísia por 2-1, após prolongamento. John Mensah deu a liderança aos ganeses logo aos 10 minutos, desviando de cabeça na sequência de um canto.

Com a equipa do Norte de África a ser conhecida pela sua atitude defensiva (filosofia calculista também partilhada pelos ganeses), esperava-se que um golo madrugador pudesse dar ânimo a um jogo. Falsas esperanças. A partida foi muito bem jogada, tendo em campo duas equipas muito evoluídas tecnicamente, mas sempre a um ritmo baixo. Os tunisinos lançavam a velocidade de Msakni, Dhaouadi e Khelifa com passes longos, e foi este último quem empatou a partida, na sequência de uma jogada envolvente, aparecendo a finalizar de cabeça ao segundo poste.

A segunda parte foi momento de estudo para ambos os conjuntos, a baixar ainda mais a caixa de velocidades e a esperar pelo erro do adversário ou pelo prolongamento. Como os erros foram poucos e nunca aproveitados, a partida seguiu para prolongamento, com o guarda-redes tunisino (que até se estava a cotar como um dos melhores em campo) a oferecer a passagem aos ganeses. Numa bola bombeada para a área, Mathlouthi deixou escapar a bola entre as mãos e permitiu que André Ayew marcasse um dos golos mais fáceis da sua carreira.

A vitória da equipa de Goran Stevanovic acaba por ser justa, sobretudo pela maior solidez do seu bloco, que não permitiu veleidades ao ataque da Águias de Cartago. Na próxima quarta-feira, a Zâmbia enfrentará o conjunto ganês, enquanto o Mali terá pela frente a Costa do Marfim, duas partidas de grande equilíbrio que decidirão os finalistas desta CAN 2012.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Zâmbia e Costa do Marfim nas meias-finais
E ao primeiro dia dos quartos-de-final, aqueles que mais sonharam na Taça das Nações Africanas tiveram que enfrentar a realidade. Com o resultado de 3-0 a repetir-se nas duas partidas, Sudão e Guiné Equatorial acabaram por se despedir da competição.

A equipa da Guiné Equatorial tentou vender o mais caro que pôde esta partida, mas os Elefantes não permitiram veleidades. Se Drogba ainda deu oportunidade para que Danilo brilhasse ao defender uma grande penalidade, pouco depois rematou sem hipóteses para o guardião de origem brasileira.

Na segunda parte, Drogba bisou, desta vez com uma cabeçada implacável, deixando que Yaya Touré marcasse ainda um dos mais espectaculares golos deste torneio, num livre marcado de forma perfeita, bem longe da área. A exibição da Costa do Marfim foi convincente e esteve ao nível do que se espera para um forte candidato a vencer a CAN.

Para a equipa da Guiné Equatorial, fica o dever cumprido com brilhantismo, pois se ninguém esperava nada desta equipa, a verdade é que os guineenses mostraram atributos para merecer um lugar entre as oito selecções mais fortes da competição. Javier Balboa, Juvenal, Danilo e companhia aproveitaram da melhor forma uma oportunidade que pode ser única, dado que o país nunca conseguiu qualificar-se para uma prova desta qualidade.

Na outra partida disputada hoje, a Zâmbia voltou a afirmar-se como um candidato que vai correndo por fora e já está nas meias-finais. Os golos dos zambianos foram marcados por Sunzu, Katongo e Chamanga, numa partida onde o Sudão não demonstrou capacidade para lutar pelo resultado.

Os zambianos voltam a uma fase da competição onde não chegavam desde 1994, quando perderam na final para a Nigéria, em Tunes. Já para os sudaneses, aproveitaram bem as fragilidades dos seus opositores no grupo para voltarem a provar uma passagem para lá da primeira fase, algo que não era atingido desde 1970, quando organizaram e venceram a CAN.

As duas equipas esperam agora pelos resultados de amanhã para se ficarem a conhecer os jogos das meias-finais, que se disputarão na próxima quarta-feira.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Agora é mata-mata!
A Taça das Nações Africanas chega ao momento das decisões, com as oito melhores seleções da competição a disputarem os quartos de final. A única certeza é um grande equilíbrio nas quatro partidas que se disputarão este fim de semana.

Textos de antevisão para as partidas Zâmbia – Sudão, Costa do Marfim – Guiné Equatorial, Gabão – Mali e Gana – Tunísia.

A segunda fase da CAN começa com um jogo inesperado. Se a Zâmbia era uma favorita a criar surpresa no grupo A (mesmo que poucos se atrevessem a prever um Senegal tão alheado do jogo), o Sudão estava entre as equipas menos cotadas do torneio. No entanto, a equipa zambiana desde cedo começou a mostrar as suas qualidades, afirmando-se como uma equipa sólida na defesa e atrevida no ataque, capaz de resolver partidas e gerir vantagens sem tremideiras. Hervé Renard afirmou-se como um treinador de sucesso no futebol africano (depois da passagem de má memória por Angola) e conta com Mayuka, Katongo e Kalaba para garantir um lugar nas meias-finais da prova. Os desconhecidos sudaneses deixaram de fora duas equipas que prometiam uma boa presença, Angola e Burkina Faso, chegando a esta fase com a sensação de dever cumprido. Será muito importante que os zambianos levem a sua concentração em alta, pois os sudaneses já demonstraram ser uma equipa que aproveita qualquer falha para se colocar na frente. Ainda assim, total favoritismo para a Zâmbia.

O final da tarde de sábado será o momento de Costa do Marfim e Guiné Equatorial se defrontarem. Um duelo muito interessante, entre a equipa mais e a menos cotada desta competição. Os guineenses têm a vantagem de jogar em casa, embora atingir os quartos de final seja já algo de muito inesperado e surpreendente para uma equipa de quem nada se esperava e que, inclusive, só há cerca de um mês assinou contrato com o seu treinador. Mas, na verdade, quando se fala de uma seleção com jogadores do quarto nível do futebol espanhol, ignora-se que boa parte deles passou por equipas profissionais nos escalões de formação e beneficiaram de condições de treino que nem sempre se encontram em África. Logo, há que relativizar a comparação entre níveis de jogo de uns e outros. Os elefantes ainda não mostraram tudo aquilo que podem dar, e este jogo é o momento perfeito para arrancarem para uma presença na final. Drogba e companhia têm essa exigência sobre si e nada que não seja uma vitória lhes será perdoado, tanto que a Costa do Marfim é uma equipa que tem as suas maiores estrelas numa idade avançada.

Para domingo estão marcados dois jogos de difícil previsão quanto a vencedores. O outro país organizador, o Gabão, enfrenta o Mali e iremos assistir a uma partida onde o futebol inspirado e ofensivo dos gaboneses terá que ultrapassar o jogo de água fria dos malianos. A juventude de Pierre Aubameyang e a experiência de Daniel Cousin prometem criar muitas dificuldades a um adversário que também terá que lidar com um estádio cheio contra si. Por seu lado, Alain Giresse conta com Cédric Kanté para liderar a defesa do seu último reduto, tendo em Seydou Keita um dos capitães mais experientes da CAN. Ainda que as equipas mais organizadas defensivamente costumem chegar mais longe neste torneio, parece que o Gabão não estará disponível para deixar passar a oportunidade de atingir as meias-finais em sua casa.

A última equipa a chegar às meias-finais sairá do encontro entre duas das equipas mais sólidas da CAN. Gana e Tunísia têm ambas aspirações a vencer o torneio. A equipa ganesa tem uma ligeira superioridade, mas ainda não mostrou em campo o favoritismo que lhe tem vindo a ser atribuído. Todas as suas estrelas têm estado mais preocupadas em ajudar a equipa a chegar longe sem atribulações, daí que não se possa apontar particular destaque para nenhum dos jogadores. Goran Stevanovic sabe também que os tunisinos são das equipas mais complicadas de enfrentar em África, uma espécie de lado obscuro da força. Trabelsi montou o seu conjunto para, em primeiro lugar, não sofrer golos, ainda que oferecendo a bola ao seu adversário. A equipa sente-se confortável a defender em bloco baixo e isso dá-lhe até algum ascendente para, nas transições, recorrer a Khalifa e Dhadouadi, nas alas, para colocarem em alerta máximo o seu adversário. Espera-se um grande duelo tático entre conjuntos muito fortes, uma excelente oportunidade para que Asamoah Gyan reapareça como figura de proa da equipa ganesa, marcando para resolver a partida.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

CAN 2012: o grupo D foi assim
Gana e Mali seguem em frente num grupo onde ganhou quem foi mais eficiente. A Guiné Conacri poderá sair de competição com uma certa sensação de injustiça, mas a verdade é que não conseguiu superiorizar-se a nenhum dos seus adversários directos.

Isso foi claro logo na primeira jornada, quando um Mali mais maduro e mais seguro dos seus objetivos bateu a equipa guineense. O triunfo da equipa de Alain Giresse não teve grande espectacularidade, mas deu um sinal forte do que se passaria neste grupo.

Por seu lado, o Gana também nunca se esforçou mais que o necessário para assegurar a vitória no grupo. 1-0 no primeiro jogo frente ao Botsuana, 2-0 frente ao Mali e um empate a fechar a primeira fase que o fez cumprir os objectivos. A equipa ganesa tenta, mais uma vez, recorrer à racionalidade para evoluir numa competição deste nível. Mais uma vez, precisará também que a sorte esteja do seu lado para poder vencer. Mas o quadro até à final é bem complicado.

A equipa maliana até parece mais animada com as perspectivas de avançar na competição. Mesmo tendo que enfrentar o Gabão, que joga em casa, conseguiu evitar os gigantes da CAN, que estão todos no caminho do Gana. Isto dito, ser-se primeiro é, em todos os casos, melhor do que ficar em segundo.

A equipa da Guiné Conacri foi quem mais golos marcou nesta primeira fase da CAN. Mesmo assim acabou eliminada. Na verdade, a maioria dos golos foram conseguidos numa tarde de desacerto das Zebras, que sofreram a maior goleada do torneio, a jogar com 10 elementos. Michel Dussuyer comandou um grupo muito jovem e com claras capacidades para conseguir melhor. No entanto, ao perder frente ao Mali, acabou por ficar em grande desvantagem. Sai, ainda assim, da CAN, com um futuro promissor, a confirmar já na CAN 2013.

O Botsuana tocou o céu em 2011 e entrou em 2012 com uma descida aos infernos. Estreante a este nível, termina a CAN como a pior equipa, zero pontos e um goal average de 2-9. Depois de no ano passado ter sido a grande sensação do futebol africano, as Zebras sentiram falta de experiência para jogar num torneio destas dimensões. Muito provavelmente foram retirados preciosos ensinamentos para que na próxima edição (em 2013 vão ter a CAN à porta de casa, na África do Sul) possam, então, comprovar as boas promessas que deixaram na fase de qualificação.
A figura

Abdoulaye Diallo

Num grupo onde as equipas apuradas se valeram pela força do colectivo, um jovem jogador deixou uma forte impressão nos observadores. Diallo chegara a esta CAN como uma das promessas do futebol africano. Aos 21 anos, a jogar na segunda divisão francesa, no Bastia, Diallo não se encolheu numa competição maior e deu sinais de merecer subir na sua carreira. A Guiné Conacri até ficou pelo caminho, mas para Diallo, a CAN 2012 poderá ser o início de uma bela história.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

CAN 2012: o grupo C foi assim
O Gabão, a jogar em casa, e a Tunísia foram os justos apurados de um grupo onde Marrocos desiludiu uma vez mais. Mas comecemos pelas coisas positivas.

A equipa de Gernot Rohr é a mais convincente da primeira fase da CAN. Três vitórias, frente a adversários complicados como a Tunísia e Marrocos, um futebol atraente, ofensivo, empurrado pelo apoio popular de um país que parou (mesmo, o Presidente decretou feriado os dias de jogo da seleção) para assistir às suas partidas.

Para mais, um bom guarda-redes, Ovono, uma defesa forte e uma frente de ataque onde Aubameyang se destaca como uma das grandes certezas da competição são atributos suficientes para acreditar que poderemos ver esta equipa numa fase adiantada da CAN. Acrescente-se a muita juventude do onze utilizado pelo treinador para ver no Gabão uma força do futuro no futebol africano.

A Tunísia, por seu lado, não é uma equipa atraente ao olhar, mas a sua eficácia deve ser louvada. A qualificação foi garantida logo no primeiro dia, onde frente a um criativo Marrocos, os tunisinos souberam controlar o ritmo do jogo e impôr uma derrota aos seus rivais. Msakni, Khalifa e Dhadouadi têm-se destacado na transição ofensiva, demonstrando que Trabelsi também sabe dispor as suas peças para marcar golos.

Eric Gerets conduziu a desilusão do torneio. Com muita qualidade técnica mas pouco poder de fogo, Marrocos só se pode queixar de si próprio. Perdendo frente à Tunísia naquela que foi a sua melhor exibição, a passividade da equipa frente ao Gabão, ainda que podendo queixar-se da sorte por sofrer um golo ao cair do pano, condenou a seleção do norte de África a uma saída precoce da CAN. Fica, ainda assim, a promessa do treinador belga de voltar já no próximo ano. Isto se lhe permitirem tal crédito.

Finalmente, o Níger fez a sua estreia na CAN sem conseguir nenhum ponto. A equipa havia surpreendido ao qualificar-se e percebe-se porquê. Muita força física, mas pouca qualidade técnica e organização, vale à equipa nigerina uma força da natureza como Moussa Mazzou para fazer alguma mossa nos adversários. Terá que evoluir muito para conseguir ser figura numa competição continental. E voltar a ter a sorte dos adversários serem maus na matemática.
A figura

Pierre Aubameyang

Nascido em França, Aubameyang fez notícia ao ter sido contratado pelo AC Milan quando era ainda muito jovem. No entanto, nunca conseguiu mostrar em campo as razões da sua ida para Itália, tendo sido sucessivamente emprestado a equipas francesas sem também mostrar o tal potencial. No Saint-Etiénne desde há um ano atrás, Aubameyang começou a mostrar, finalmente, poder de fogo, o que tem vindo a ser largamente comprovado na CAN. Conhecido como o Neymar africano, o jovem gabonês é uma peça essencial do sucesso da sua equipa e poderá sair daqui com o seu valor restabelecido.

Indecisão no grupo D
No único grupo onde todas as decisões ficaram guardadas para a última jornada, o Gana parte como favorito, mas Guiné Conacri e Mali estão na luta pelo apuramento. Vai ser uma tarde de emoção na Taça das Nações Africanas.

A equipa ganesa é vista como uma das principais favoritas à vitória nesta CAN, mas até aqui parece longe de convencer quem segue a competição. Ainda assim, duas vitórias frente a Mali e Botsuana deixam a equipa orientada por Goran Stevanovic muito perto de assegurar um lugar entre as oito melhores equipas.

Pela frente terá a Guiné Conacri, equipa que perdeu o seu primeiro jogo mas demonstrou um forte poderio ofensivo frente às Zebras. Terá sido um sinal de crescimento da equipa guineense ou apenas resultado da fragilidade defensiva do Botsuana? Isso mesmo estará em teste no jogo frente ao Gana. Os crédito está todo no campo adversário, uma equipa muito mais madura e com o olhar focado num título que lhe tem fugido.

Para as contas do grupo muito contará o que se vai passar no jogo entre Mali e Botsuana. O conjunto orientado por Alan Giresse precisa de uma vitória expressiva para garantir a qualificação sem ter de estar com os ouvidos na outra partida. Mas esse poderá ser um problema. A equipa revelou-se perdulária nos primeiros jogos e não será de esperar que o Botsuana repita a péssima exibição que teve contra a Guiné.

Stanley Tsoshane, treinador das Zebras, quererá mesmo sair da CAN em grande, apagando a impressão deixada nessa partida. Apesar de uma frente de ataque onde se denota criatividade, o ritmo de jogo da seleção do Botsuana está uns furos abaixo dos seus opositores, sendo que o fato de estar num grupo muito forte também não ajudou a esta primeira experiência da equipa do sul do continente entre a elite do futebol africano.

São fortes as razões para acompanhar o que se passará nos dois jogos desta tarde.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

CAN 2012: o grupo B foi assim
Costa do Marfim e o surpreendente Sudão qualificaram-se para os quartos-de-final da CAN, deixando de fora duas equipas que chegaram a esta competição como outsiders. No final do grupo, Angola acaba por sofrer as consequências do excesso de confiança demonstrado depois da vitória sobre o Burkina Faso.

A primeira jornada parecia ser decisiva para a classificação final deste grupo. Enquanto os marfinenses bateram, timidamente, o Sudão por 1-0 (Drogba, quem mais?), Angola fez uma exibição madura e venceu o seu concorrente directo pelo segundo lugar do grupo. Mateus e Manucho marcaram dois golos de belo efeito e deixaram Paulo Duarte a fazer contas com a equipa burquinesa.

Os segundos jogos pareciam não trazer novidades. Pelo menos até aos 74 minutos do Angola-Sudão. Quando os Palancas Negras pareciam já gerir o seu apuramento, com Carlos Fernandes a atrasar uma reposição de bola que lhe permitia limpar os amarelos na última jornada, Mohamed Bashir marcou golo do empate e deu algumas esperanças aos sudaneses. Na outra partida, a Costa do Marfim cumpriu a sua obrigação e colocou o Burkina Faso fora da corrida.

Assim se chegou a uma última jornada onde, apesar das possibilidades matemáticas em contrário, Angola parecia chegar segura do seu apuramento. Erro crasso. Uma equipa com as fragilidades defensivas dos angolanos não poderia nunca deixar-se enredar na confiança do trabalho feito. Assim, dois erros infantis permitiram que uma segunda equipa da Costa do Marfim vencesse por 2-0, enquanto o Sudão ia demonstrando que Paulo Duarte e o Burkina Faso não foram feitos para fases finais da CAN (duas participações, cinco jogos, cinco derrotas).

No balanço final do grupo, pode bem dizer-se que ainda não se viu a Costa do Marfim em todo o seu poderio, o que não deixa de ser algo normal neste tipo de competições. O Sudão faz história, voltando a vencer um jogo na CAN 42 anos depois, com o bónus de isto lhe valer uma qualificação para a segunda fase. Angola parece não ter crescido nem aprendido com os erros e Lito Vidigal foi já “denunciado” como bode expiatório do falhanço colectivo dos Palancas. Paulo Duarte, esse, também parece de saída do Burkina, restando agora saber em que latitude africana continuará a sua carreira.
A figura

Mudathir El Tahir

O avançado do Al Hilal tornou-se na figura deste grupo ao marcar os dois golos da vitória sudanesa frente ao Burkina Faso. Pleno de oportunidade, El Tahir entra para a história do futebol sudanês aos 23 anos, oferecendo uma vitória que fugia há 42 anos e uma qualificação que ninguém previra. Estes são os ingredientes do que poderá transformar-se num bilhete para uma liga mais competitiva no futuro próximo.
Sem comentários:
Enviar a mensagem por e-mail
Dê a sua opinião!
Partilhar no Twitter
Partilhar no Facebook
Partilhar no Pinterest

Etiquetas: CAN 2012, Futebol
De olho no primeiro lugar
Gabão e Tunísia enfrentam-se hoje para decidir quem fica em primeiro lugar do grupo C. Para o vencedor haverá o prémio de, ao que tudo indica, evitar a poderosa seleção do Gana nos quartos-de-final.

A equipa da casa tem sido uma das boas surpresas desta CAN, ao mostrar um futebol vistoso e ofensivo, tendo em Aubameyang um autêntico diabo à solta na frente da ataque. Já a equipa tunisina é o oposto total. O treinador, Trabelsi, criou um colete de forças para vencer Marrocos e, apesar das dificuldades sentidas frente a um Níger que obrigou a equipa a ter mais iniciativa, um golo salvador de Jemma permitiu assegurar o apuramento ao fim de duas jornadas.

Neste jogo decisivo, enquanto o Gabão procura confirmar a onda de entusiasmo que invadiu o país, a Tunísia tentará, uma vez mais, ser uma equipa cautelosa e racional, evitando sofrer golos para aproveitar o mínimo deslize adversário.

Entretanto, na outra partida do grupo, joga-se apenas pela honra. Enquanto o Níger tentará somar os seus primeiros pontos em fases finais da CAN, Eric Gerets terá que demonstrar que tem condições para continuar à frente da seleção marroquina. O treinador belga já disse que quer terminar aquilo que começou e, na verdade, esta geração marroquina parece destinada a atingir feitos que, até agora, lhe tem fugido entre os dedos. Uma vitória na tarde de hoje é essencial para ganhar tempo e confiança para o que poderá vir a ser feito no futuro próximo.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

CAN 2012: o Grupo A foi assim
Zâmbia e Guiné Equatorial seguem em frente no Grupo A. O principal favorito, Senegal, não só fica pelo caminho como é a grande desilusão da prova, ao perder todos os jogos.

A surpresa começou a desenhar-se logo no primeiro dia da competição, quando uma esforçada Guiné Equatorial venceu a Líbia com golo de Javier Balboa. A equipa da casa mostrou um futebol simples e realista, tendo em conta os jogadores à sua disposição: defesa dura, avançados móveis. Aparentemente, ficar na expectativa não era solução para os comandados de Gilson Paulo, um desconhecido treinador brasileiro que, como prémio de apuramento, ganhou já mais um ano de contrato à frente da equipa guineense.

Também na primeira jornada a Zâmbia bateu o Senegal por 2-1 e começou a desenhar o que seria a história do principal favorito deste grupo: uma desilusão sem igual, para um grupo onde brilhavam Demba Ba, Moussa Sow e Papiss Cissé.

No entanto, a segunda jornada deixou bem claro quem eram as equipas mais fortes. Depois de uma chuva torrencial, Líbia e Zâmbia não foram além do empate. Mas mesmo com o relvado em frágeis condições, a Guiné Equatorial conseguiu uma das vitórias que ficará na história deste país. Depois de ver o Senegal empatar nos minutos finais, Kily, com um fabuloso remate fora da área, colocou o pior classificado do Ranking Fifa a jogar nesta CAN nos quartos-de-final da competição.

A última jornada serviu para confirmar tendências. Enquanto a Guiné Equatorial, pela primeira vez, pareceu mais preocupada em contralar o jogo, a Zâmbia recorreu às suas credenciais e Chris Katongo marcou o golo da merecida vitória. No outro jogo, a Líbia honrava a sua revolução com uma vitória sobre um Senegal desfeito em pedaços.

Obviamente que a Guiné Equatorial será uma das bonitas histórias deste torneio. Mas é a Zâmbia quem entra na fase decisiva da prova com condições para conquistar alguma coisa na CAN. Senão o título, um lugar no pódio.

A figura

Javier Balboa

Instrumental no sucesso da Guiné Equatorial. Marcou o golo para a vitória no primeiro jogo, fez a assistência para a vitória no segundo. Depois de muito prometer ao serviço do Real Madrid, a sua carreira precisava de um momento especial. Chama-se CAN 2012. Balboa sairá desta competição como um dos nomes em destaque no futebol africano.

A primeira final para Angola
Angola defronta a Costa do Marfim naquele que será um encontro decisivo para o apuramento para os quartos-de-final da Taça das Nações Africanas. A equipa de Lito Vidigal precisa apenas de um ponto, mas jogará para ganhar e conquistar o primeiro lugar do grupo.

Depois de bater o Burkina Faso e de empatar com o Sudão, Angola precisa agora de um ponto (ou que o Sudão não vença o seu jogo) para confirmar a passagem aos quartos-de-final. A motivação é grande, para mais enfrentando a Costa de Marfim, uma das seleções com mais estrelas nesta competição.

Para o jogo de hoje, Lito Vidigal não poderá contar com Carlos Fernandes, que tem sido o guarda-redes titular da equipa. As notícias vão indicando que o escolhido para o substituir deverá ser Wilson, guarda-redes do 1º de Agosto. Quem está totalmente recuperado da lesão que o afastou do último jogo é Nando Rafael. O avançado fez a sua estreia oficial com a camisola dos Palancas Negras frente ao Sudão, depois de, no passado, ter representado a seleção alemã nos escalões mais jovens.

A equipa da Costa do Marfim chega a esta partida com a qualificação garantida, fruto de duas vitórias em outros tantos jogos. Ainda assim, será pouco provável que opte por descansar as suas principais estrelas, dado que a Zâmbia, equipa que venceu o grupo B, é um adversário a evitar na próxima fase da competição.

Em disputa estará ainda a tentativa de Angola vencer a equipa marfinense, pela primeira vez, em jogos oficiais. A única vitória dos Palancas aconteceu em 2007, num jogo amigável, mas das três vezes que as equipas disputaram jogos em competições africanas, a vitória sorriu sempre aos Elefantes. Em 1998, as duas equipas encontraram-se em jogo da CAN, disputada no Burkina Faso. A equipa da Costa do Marfim venceu por 5-2 e Lito Vidigal esteve em campo com a camisola dos angolanos. Quase 14 anos depois, a vontade é de fazer história, vingando essa pesada derrota que eliminou Angola.

Será pois um grande jogo, aquele que se disputará mais logo à tarde, em Malabo.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Angola quer dominar
Pela primeira vez no historial das suas presenças na Taça das Nações Africanas, Angola ganhou o seu jogo inaugural. Melhor ainda, ganhou-o com uma exibição personalizada e frente a um adversário complicado. Será que estamos perante a melhor equipa de sempre dos Palancas Negras?

Vários fatores contribuem para a boa imagem que Angola deixou na sua estreia na CAN 2012. O mais importante de todos será o facto da equipa entrar em competição sem pressão. Depois de participações onde se pedia o mundo a este grupo de jogadores, sobretudo a última, dado que se disputava em casa, os consequentes falhanços levaram a que 2012 fosse encarado mais com razão do que com coração. Nisso também ajuda o treinador Lito Vidigal.

O antigo internacional angolano faz parte da história do futebol africano. É o primeiro jogador internacional por um país africano a treinar uma equipa de uma liga de topo europeia. É também uma figura respeitada no seu país, conhecendo profundamente a realidade do futebol e do jogador angolano. Aliando essas qualidades ao seu excelente nível técnico, Lito é um treinador que faz a diferença.

Finalmente, olhando para o grupo de jogadores à disposição do treinador, percebe-se que esta será a equipa mais experiente da várias que Angola apresentou a nível internacional. Zuela é, hoje, um defesa com larga experiência no futebol europeu, sendo uma barreira implacável no último reduto dos Palancas. André Macanga refreou os seus ímpetos mais agressivos, sem perder eficácia no arrumar do meio-campo. Gilberto é um talento que ganhou muito na mudança para o Lierse. Finalmente, na frente de ataque, Flávio e Manucho têm a capacidade concretizadora que os criativos Mateus e Djalma precisam para formar uma grande equipa.

Hoje, perante o Sudão, Angola enfrenta um difícil teste às suas ambições. A equipa sudanesa, apenas com jogadores pertencentes a equipas locais, demonstrou uma boa organização defensiva e tentará, neste jogo, somar um ponto que mantenha abertas as portas da qualificação. Para os homens de Lito Vidigal, será necessário entrar com total concentração para mostrarem que são mesmo candidatos a uma boa campanha na CAN.

No outro jogo do dia, o Burkina Faso de Paulo Duarte tem a espinhosa missão de enfrentar a Costa do Marfim. Apesar do treinador português ter desvalorizado a qualidade do adversário, dando a entender que tem condições para o derrotar, a verdade é que o trio Traoré, Pitroipa e Dagano não mostrou tudo aquilo que se esperava deles no jogo frente a Angola. Assim, terá que ser frente Drogba e companhia que a equipa burquinesa poderá provar que merecia ser encarada como uma candidata a, pelo menos, ser a surpresa deste torneio. Se, uma vez mais, sair da CAN sem vitórias, acabará por ser uma das desilusões.

É hora de decisões na Taça das Nações Africanas.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A festa da Guiné Equatorial
A seleção deste pequeno país entrou na Taça das Nações Africanas com o pé direito, surpreendendo quem nada esperava de um grupo constituído por jogadores sem qualquer experiência a este nível. Enfrentando hoje o Senegal, Javier Balboa e companheiros acreditam que tudo é possível.

Foi a primeira surpresa desta CAN. No jogo inaugural, a equipa da casa, pior classificada no ranking da FIFA entre os participantes e estreante numa competição a este nível, entrou sem medos, pegou na bola e atacou o último reduto dos líbios, que até partiam como favoritos. Pode-se até dizer que, chegados ao final da primeira jornada da competição, a Guiné Equatorial foi a equipa que jogou com menos receio do que lhe poderia acontecer. Afinal, têm tudo a ganhar e (quase) nada a perder.

Duas figuras estiveram em destaque nesse primeiro jogo. Javier Balboa, jogador do Beira-Mar e ex-jogador do Benfica e Real Madrid, ganhou um lugar na história por ter sido o marcador do primeiro golo do seu país em fases finais da CAN. Acrescentando o facto desse golo ter valido três pontos, aumentou também a esperança em conseguir levar a equipa até a uma fase mais avançada da competição, o que seria algo inimaginável há um mês atrás, quando a equipa não tinha sequer treinador.

A outra figura da equipa foi o guarda-redes Danilo. Nascido no Brasil, este jogador é internacional da Guiné Equatorial desde 2006, embora tenha estado afastado da seleção nos últimos dois anos, só regressando a convite do técnico Gilson Paulo. Danilo fechou todos os caminhos para a sua baliza e cotou-se como um dos melhores guarda-redes do torneio, após os primeiros jogos.

Mas Gilson Paulo sabe bem como é complicada a tarefa que tem em mãos. Logo a seguir ao golo de Balboa, aos 87 minutos, pode-se ver como o técnico lançou as mãos aos céus agradecendo a Deus este feito. O treinador está a experimentar um milagre. Depois da saída de Henri Michel, Gilson Paulo saiu pela primeira vez do Brasil, onde trabalha nos escalões de formação do Vasco da Gama, para se aventurar na África desconhecida. E o que se pode dizer é que, embalado pela criatividade de jogadores com Balboa e Randy, conseguiu inventar um futebol simples e atrativo, o que lhe poderá valer uns chorudos prémios, prometidos pelos governantes do país.

Em contraste com a alegria da equipa da casa, o Senegal enfrentou os seus fantasmas frente à Zâmbia e perdeu a primeira partida. Apesar de estar recheada de estrelas, como Demba Ba, Papiss Cissé, Mamadou Niang e muitos outros, os senegaleses voltaram a entrar mal numa CAN. Hoje, estão sob máxima pressão para vencer o jogo, pois caso não o consigam, o calendário do grupo é-lhe altamente desfavorável, deixando-os nas mãos do destino e dos seus adversários.

Para o outro jogo do dia, a Zâmbia parece total favorita. Enquanto os líbios estiveram vários degraus abaixo das expectativas, os zambianos comprovaram ter uma equipa sólida, fruto de uma geração muito talentosa, sob o comando do experiente Hervé Renard. A vitória, aliás, poderá mesmo fazer com que sejam a primeira equipa a apurar-se para os quartos de final da competição.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A oportunidade do Gana
A Taça das Nações Africanas foi berço de surpresas nas primeiras partidas e, esta noite, Marrocos e Tunísia entram em campo para disputar um clássico do futebol africano. Quem começará melhor?

No duelo do Norte de África, é muito difícil antecipar vencedores. Mais do que duas equipas, é uma longa tradição de disputa pelo cetro do futebol magrebino que entra hoje em campo.

Com algumas das históricas equipas fora da competição, esta é a grande oportunidade para o Gana voltar a saborear a vitória na Taça das Nações Africanas, algo que não consegue desde 1982. Para começar, há que bater o desconhecido Botsuana.

A equipa ganesa deverá ser uma das mais reconhecidas desta CAN. Não só grande parte dos seus jogadores evoluem nos principais campeonatos da Europa, como a sua presença nos dois últimos Mundiais tornou estes jogadores figuras do futebol mundial. Isaac Vorsah (suspenso neste primeiro jogo), Sulley Muntari, os irmãos Ayew e Asamoah Gyan, o fabuloso avançado que, infelizmente, deixou a Liga Inglesa para aceitar um contrato milionário do Al Ain dos Emirados Árabes Unidos.

O treinador é Goran Stevanovic, sérvio que, enquanto jogador, passou pela Liga Portuguesa, jogando no Farense, Vitória de Setúbal, Campomaiorense e União da Madeira, nos anos 90. Este é o maior desafio da sua carreira de técnico, passada maioritariamente como adjunto. Desde que substituiu Rajovac, sabe que só conquistando um título poderá superar o mito do seu compatriota, que ficou a um minuto (e uma mão do uruguaio Suárez) de levar, pela primeira vez, uma equipa africana às meias-finais de um Mundial.

O adversário de hoje é um perfeito desconhecido. A equipa do Botsuana faz a sua estreia numa fase final da Taça das Nações Africanas e, até há bem pouco atrás, era uma seleção considerada demasiado frágil. No entanto, com o crescente investimento de empresas no Campeonato local, a seleção das zebras tornou-se capaz de aproveitar o talento de muitos jovens jogadores.

Com uma equipa composta maioritariamente por jogadores de equipas locais, as principais estrelas do Botsuana jogam no campeonato da África do Sul. Aquele em quem se aposta como figura da equipa, Jerome Ramatlhakwane, está presentemente no Vasco da Gama, depois de uma passagem menos bem sucedida pelo Chipre. O avançado marcou cinco golos na fase qualificação, onde esta seleção acabou à frente da Tunísia.

No outro jogo do dia, o Mali tenta reabilitar-se. Sem Diarra nem Kanouté, as suas duas principais figuras dos últimos anos, Alain Giresse aposta em Seydou Keita e Garra Dembelé para serem as referências de uma seleção extremamente jovem. No entanto, terão que bater a Guiné-Conacri na luta por um lugar nos quartos-de-final, uma equipa que continua a ter em Pascal Feidouno um dos maiores craques africanos.

Dois jogos interessantes para acompanhar no dia de hoje da Taça das Nações Africanas, num grupo onde a qualificação poderá ser disputada até à jornada final.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Duelo do Norte de África
Nos últimos anos, os tunisinos têm sido mais fortes, marcando presença no Mundial de 2006 e vencendo a Taça das Nações Africanas em 2004, batendo na final os rivais marroquinos. O desaire na qualificação para o Mundial 2010, ainda assim, colocou a nu as dificuldades de uma transição de gerações e a Tunísia acabou por conquistar um lugar nesta competição qualificando-se em segundo lugar atrás do inexperiente Botsuana.

Isto aconteceu com uma mudança de treinador pelo meio. E é em Samir Trabelsi, antigo internacional tunisino com presenças na CAN e no Mundial de 98, que muitos vêm uma oportunidade de renascimento para a Tunísia. Com metade dos jogadores convocados a atuar no país natal, a força desta equipa reside na ofensiva, onde “Picasso” Darragi marca o ritmo de um conjunto que tem em Jemaa, do Auxerre, uma das suas principais referências no momento do golo.

Mas é na equipa de Marrocos que estarão centradas as atenções. Depois de uma travessia pelo deserto, sem qualquer qualificação para um Mundial desde 1998 e com a sua única vitória na CAN a datar do longínquo 1976, o conjuto orientado por Eric Gerets emerge agora como um dos favoritos.

Não é difícil perceber as razões. Numa equipa que tem referências como Benatia (Udinese) na defesa, Taarabt (QPR) e Kharja (Fiorentina) no meio campo e Chamack (Arsenal) na frente de ataque, parece faltar muito pouco para se evidenciar nesta competição. No entanto, medir-se frente a um vizinho na abertura da CAN poderá ser um teste demasiado exigente, para mais sabendo-se que tendo um dos organizadores no grupo, o Gabão, poderá haver apenas lugar para uma das equipas na próxima fase.

Um jogo que promete muita emoção e indecisão no marcador. É a magia da Taça das Nações Africanas.

Anúncios