Depois de se sagrar campeão em 2011 e 2012, o Recreativo do Libolo não hesitou em reforçar-se com vista à temporada de 2013, onde para além do título no Girabola, se apresenta com aspirações na Liga dos Campeões Africanos, onde no ano passado não conseguiu ir além da primeira ronda. A primeira grande mudança é no comando técnico, com Zeca Amaral a dar o seu lugar a Henrique Calisto. É a primeira vez que o técnico de Matosinhos treina em Angola, depois de uma longa carreira em Portugal e no Vietname. O técnico português estreou-se com uma vitória frente ao Simba, da Tanzânia, por 1-0, na ronda preliminar da Champions, seguido de uma derrota pelo mesmo resultado na primeira mão da Supertaça, no campo do Petro de Luanda.

Apesar da derrota, o conjunto do Libolo deu claros sinais de uma evolução no seu futebol, onde se espera um privilégio da circulação apoiada da bola, a começar logo pela zona defensiva, onde Gomito e Pedro Ribeiro ocupam os lugares centrais, com Carlitos, um lateral-direito muito ofensivo e Mussunami, um possante lateral-esquerdo, a permitir o equilíbrio do quarteto. No meio-campo, com Andrés Madrid ainda fora de forma, o cabo-verdiano Sidnei ocupa a posição central. Será até possível que Sidnei nunca perca o seu lugar na equipa de Calisto, com Andrés Madrid a ter que procurar uma posição mais avançada no terreno para ser opção a titular. O técnico português optou por apresentar a sua equipa num esquema de 4-3-3, o que lhe poderá trazer algumas dificuldades no domínio do meio-campo. Manu Lopes, moçambicano formado em Portugal, é outra das boas opções da equipa, parecendo não dar espaço a que Ruben Gouveia entre no onze, ele que saiu do Torreense para Angola num momento em que era observado, também, por equipas portuguesas de escalões superiores.

Na frente de ataque, Rasca terá que apresentar muitos mais argumentos para manter o seu lugar. Com as chegadas de João Martins e, sobretudo, João Tomás, o angolano perde espaço na equipa, sobretudo se Calisto preferir utilizar um jogador com funções de pivô finalizador, onde Tomás, certamente, brilhará, fazendo com que Rasca tenha que procurar espaços nos extremos para ter tempo de jogo. Vado e Quinzinho serão opções, faltando ainda ver de que forma Henri Camara e o “novato” Pedro Mendes poderão surgir nesta equipa.

O plano de Henrique Calisto para esta equipa dá ainda mais interesse a um Girabola que vê chegar Meyong, Flávio Amado e, daqui a uns meses, Gilberto – todos jogadores muito experientes que oferecerão maior qualidade técnica à prova. Com a oposição mais forte no Girabola, o sucesso de Calisto dependerá também, em boa parte, do seu sucesso na Champions. Mas as ideias e os jogadores para as colocar em prática estão já todos no Calulo.

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