cristiano ronaldo microfone cmtvNão nos bastava todas as contas que nos andam a tentar fazer calcular desde sábado à noite, quando para vencer um jogo de futebol não há muitas contas a fazer, tal como não bastava todas as contradições entre aqueles que nos parecem ser os melhores para ir a jogo e aqueles que não estarão tão bem, o acreditar e a confiança que dão um jeitaço mas nem sempre marcam golos, as evocações às santas do Scolari ou aos tarzões dos anos oitenta. Não, não bastava tudo isso. Era preciso aparecer um microfone.

Atente-se que, hoje em dia, pelo que sabemos, os microfones estão em todo o lado. Dizem que nos podem escutar do outro lado do mundo, porque andamos com os microfones nos telefones, nos computadores, nas televisões. Também os podem colocar num qualquer drone ou utilizar um outro, à distância, para ouvir qualquer tipo de conversa. Pessoalmente agradam-me aqueles microfones que aparecem, estranhos objetos voadores no enquadramento, quando um qualquer realizador de filme se distrai (Ed Wood forever).

Mas hoje o microfone apareceu fora do sítio, num passeio matinal que no sábado só teve direito a imagens captadas pela FPF e hoje foi feito à beira do povo (e de um lago, mas o lago vem a seguir), talvez em memória daqueles dias gloriosos de acompanhar a seleção do estágio até ao estádio, boa maneira de mostrar apoio e também impor algum nervosismo sobre quem vai jogar. Apesar de uns quantos seguranças – todos eles muito respeitadores da liberdade de imprensa, a permitirem que o jornalista da CMTV se aproximasse do Cristiano Ronaldo -, o indesejado encontro lá se deu (e nós sabemos quanto o Correio da Manhã gosta de andar em cima do CR7).

O microfone voou e deu um mergulho espetacular num lago de Lyon, fosse aquilo numa grande área e era capaz de dar amarelo. Mas que foi empurrado, foi, talvez pela mão do Cristiano, talvez pela mão de uns quantos que, só tendo o comando por perto, lutavam para mudar de canal. Porque não nos bastava tudo e agora ainda nos deram um microfone para fazer a festa. A liberdade de imprensa não voa, mas os lagos também não se enchem com lágrimas de crocodilo. Ainda bem que dizem que a um mau ensaio se segue uma grande atuação.

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