Se costumam acompanhar o que vou escrevendo aqui, sabem que defendo como a maior fragilidade de Fernando Santos o planeamento para a entrada em jogo, uma situação que é, aliás, comum a muitos treinadores portugueses, muito forte a reagir ao que se passa em campo, mas frágil na forma como antecipam os acontecimentos.

O jogo de ontem, frente à Suíça, é mais um bom exemplo de como essa fragilidade pode ser fatal. Da observação feita à equipa helvética, saltavam algumas chaves para quebrar o jogo dos homens de Vladimir Petkovic. A incapacidade da equipa sair com bola controlada, algo que poderia ser contrariado com uma boa pressão alta sobre o jogador com bola, o facto de quase nunca os suíços optarem pelo corredor central para entrar no meio-campo adversário, colocando assim muito foco da velocidade dos seus elementos mais avançados, o que criava situações de vantagem nas faixas. O planeamento de Fernando Santos na primeira parte ignorou isto. Permitiu a circulação de bola dos suíços no seu meio-campo, o que abriu espaço para passes longos que criaram situações de desequilíbrio na defensiva portuguesa.

Suíça com espaço para circular e subir no terreno
Suíça com espaço para circular e subir no terreno

Os dois golos surgem de erros de marcação após a perda de bola, o primeiro na abordagem de um ressalto de bola dentro da área, o segundo de desequilíbrio na transição e incapacidade de travar o jogo em áreas do campo seguras. Mas foi a fragilidade do plano acabou por expor Portugal aos seus próprios erros.

A segunda parte trouxe um Portugal muito diferente para o campo. Proativo na perseguição do jogador com bola, com linhas mais subidas a criar enormes problemas na saída de bola dos centrais suíços, obrigando a equipa helvética a jogar mal. Na segunda parte, quase nunca a Suíça voltou a beneficiar de espaço para os seus centrais, com maior entreajuda na defesa das faixas laterais, mas, sobretudo, por não haver espaço para evoluir com controlo da bola.

A pressão portuguesa no segundo tempo
A pressão portuguesa no segundo tempo

O problema é que, depois de nos primeiros quinze minutos da segunda parte Portugal ter conquistado muitas bolas no meio-campo adversário, a Suíça reajustou as suas linhas e passou a defender com um autêntico castelo(ver imagem no topo), que se ia fechando sobre a sua baliza até ter, em várias situações, nove jogadores dentro da sua área. Nesta fase do jogo, no entanto, Portugal já tinha gasto as suas substituições, demonstrando que havia trocado prioridades. Quando precisava de jogadores mais rápidos e móveis para criar desequilíbrios no campo adversário, tinha um homem na área. Quando precisou de ter esse homem na área para dar uma opção de invasão ao espaço defensivo, já só sobrava uma mobilidade que foi facilmente controlada pelos suíços.

E assim se perdeu o primeiro jogo no caminho para o Mundial da Rússia.

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