A base da minha organização é idêntica à do Paulo Fonseca, mas, para além disso, somos muito fortes e verticais na transição. Seremos uma equipa muito prevenida na hora da perda de bola. Isso obrigará a uma concentração enorme por parte dos jogadores.

Abel Ferreira apresentou as linhas gerais com que pretende organizar o “seu” Braga com vista à temporada 2017/18. Para quem acompanhou o seu percurso, as ideias apresentadas não serão uma surpresa, sendo ainda de assinalar como boa parte delas tem estado no ADN dos bracarenses através de treinadores como Jorge Jesus, Jesualdo Ferreira e Leonardo Jardim.

De certa maneira, é isso mesmo que a direcção do clube procura em Abel. Um regresso ao caminho certo, de uma equipa ganhadora, mas que tem sempre um futebol atractivo para permitir, através das vendas, financiar o crescimento do clube. Essa acaba por ser uma responsabilidade partilhada por quem está no banco da equipa, um peso que nem todos conseguem assumir, nem todos fizeram por compreender completamente.

Com o plantel ainda aberto a várias mudanças, de destacar, desde logo, a capacidade da equipa em contratar a rivais por lugares europeus (Raúl Silva, Fransérgio e Dyego Sousa, um por sector, todos vindos do Marítimo), tal como apostar num perfil que fez sucesso em Braga, requisitando nos três grandes jogadores com potencial para fazer épocas de excelência, com Ricardo Esgaio e Jefferson. Mantendo jogadores como Wilson Eduardo, Hassan, Rui Fonte e Ricardo Horta na frente, recuperando um Fábio Martins mais maduro e preparado para os desafios e apostando no crescimento de jogadores como Xadas, este Braga tem enorme potencial para ser uma equipa muito interessante de seguir.

Queremos chegar à fase de grupos da Liga Europa, andar nos quatro primeiros lugares do campeonato e ganhar uma das Taças.

Ao mesmo tempo, para além dos objectivos desportivos, Abel Ferreira não descura os resultados. Assim sendo, cumprir com as apostas referidas são os “mínimos” a que estará obrigado para se manter no comando da equipa. O facto de, no ano passado, o Braga ter falhado quase a toda a linha objectivos bem próximos, poderão facilitar-lhe a vida, na senda de que o crescimento, por mínimo que seja, será sempre o mais certo. Porque, se no discurso, Abel Ferreira conquista, é na prática que será feita a sua avaliação.

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