A primeira parte do encontro entre Espanha e Portugal foram 45 minutos de aprendizagem e a evidência de que o futebol é mesmo um jogo de inteligência. Perante uma equipa mais poderosa tecnicamente, com um ritmo de jogo superior, a equipa nacional escolheu recolher a um bloco baixo que, com alguns erros de posicionamento, acabou por oferecer à Espanha o dmínio total do encontro.

O problema português começava, sem bola, na pouca pressão exercida sobre as jogadoras com bola. A equipa defendia com Cláudia Neto ligeiramente adiantada, as duas extremos abertas a tentar controlas as subidas das laterais, com o quarteto defensivo escorado nas três médios-centro. Não havia muita preocupação com as coberturas, abrindo espaços entre as diversas linhas, nem uma capacidade de perturbar as decisões adversárias.

O primeiro golo espanhol acaba por evidenciar isso mesmo. A bola entra na defesa-central que, com distância em relação a Cláudia Neto e sem reacção colectiva de Portugal, entra pelo meio-campo ofensivo e faz um passe em profundidade que aproveita o arrastamento provocado pela ponta-de-lança. Jogadora sozinha na cara da guarda-redes portuguesa, recepção orientada perfeita para o golo.

Posicionamento da equipa portuguesa no lance que origina o primeiro golo espanhol.

O segundo golo surge de uma distração desta linha mais recuada da equipa portuguesa, que não entende o tempo de reacção necessário para corresponder a um cruzamento e é surpreendida por uma adversária sozinha na área.

Aquilo que já referi há poucos dias, sobre a evolução do futebol feminino, ficou muito bem expressa nesta primeira parte. Uma Espanha que colhe todos os atributos que são potenciados pela escola de futebol do país vizinho. Jogadoras evoluídas tecnicamente e com enorme capacidade de leitura táctica do jogo. Treinadores com à vontade no domínio táctico do encontro. Tudo aquilo que facilita imenso ficar mais perto do sucesso.

Portugal melhorou na segunda parte. Primeiro que tudo, sentiu-se que a ansiedade ficara no balneário. Parece ser uma situação muitas vezes vista nas equipas portuguesas, esta melhoria após o intervalo. A ansiedade diminui na medida em que o entendimento do jogo cresce. As opções iniciais do treinador não serviam para travar a Espanha. Com acertos nos posicionamentos, Portugal ganhou mais vezes a bola, tendo também jogadoras mais perto da portadora da bola para dar seguimento ao ataque.

Cláudia Neto é sempre a primeira opção de passe quando a equipa nacional recupera a bola. Mas precisa que a equipa tenha dinâmica e mobilidade para lhe dar linhas de continuidade no ataque. Algumas vezes, na segunda parte, conseguiu isso, e foi por o ter conseguido que criou oportunidades de golo. Destaque, também, para Patrícia Morais, que com duas estiradas permitiu que Portugal não sofresse mais golos.

O tempo de aprender é agora. Uma aprendizagem colectiva que entenda que, sobretudo perante equipas de um nível mais alto, há determinados princípios que têm que estar completamente assimilados pela equipa. A aprendizagem far-se-á, também, observando o momento de Inglaterra e Escócia, que entram em campo dentro de alguns minutos. Um outro tipo de jogo da parte do adversário poderá ser o primeiro passo para que Portugal tenha uma evolução rápida para a segunda jornada.

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