A bola começa a rolar na Major League Soccer no próximo fim-de-semana e, preparando as transmissões em direto nos canais Eurosport, elaborei algumas análises rápidas a cada uma das equipas em competição. No primeiro artigo, dedicado às equipas localizadas mais a Oeste no mapa dos Estados Unidos da América, encontramos uma das maiores rivalidades da prova, uma nova equipa e vários candidatos ao título.

Los Angeles FC

Uma equipa à estreia está, sempre, perante um desafio de criação de estrutura e dinâmicas que uma pré-temporada dificilmente pode ser vista como suficiente. No entanto, a experiência de Bob Bradley e a capacidade financeira deste novo conjunto poderão ter minimizado alguns dos problemas. Isto, que fique claro, sem tornar os LAFC num candidato a grandes surpresas.

Sendo que todos os elementos do plantel são novidades, é no mexicano Carlos Vela que estarão focados os olhares, tendo em conta ser a estrela da equipa. Atuando como médio-ofensivo ou como segundo avançado, caberá a ele a resolução dos problemas do conjunto no que toca à finalização, ainda que Marco Ureña seja um ponta-de-lança de um nível interessante. Diego Rossi e Benny Feilhaber são outros nomes importantes na forma como a dinâmica ofensiva da equipa se desenvolverá.

A experiência de jogadores como Laurent Ciman ou Steven Beitashour terá influência na capacidade defensiva de um conjunto que tem no português João Moutinho um dos elementos mais em foco na pré-temporada. Apesar de algumas dificuldades na defesa do 1v1, as suas qualidades com bola tornam-no num dos elementos mais interessantes de seguir na nova temporada.

Joao Moutinho LAFC
O português João Moutinho foi a primeira escolha do Draft.

LA Galaxy

Depois de uma temporada para esquecer, a aposta numa recuperação de um papel de relevo na Conferência Oeste. A sensação de Sigi Schmid possa estar um pouco ultrapassado, taticamente, é insuficiente para retirar o relevo que o plantel dos Galaxy ganhou com a chegada de Ola Kamara e Chris Pontius, para o ataque, Perry Kitchen e Servando Carrasco para o meio-campo, Jorgen Skjelvik e David Bingham para a defesa e baliza.

A equipa terá em Giovani dos Santos e Romain Alessandrini a suas duas principais referências, ambos com capacidade para serem candidatos a melhores jogadores da MLS. Sebastian Lletget, recuperando totalmente da lesão que o afastou na época passada, é outro dos elementos que pode ter esse peso decisivo. O aumento da experiência dos jogadores do plantel deve ser tido em conta, numa equipa que tem vindo a conseguir lançar vários valores da sua academia.

Quem poderá ter ficado a perder com o reforço do plantel é o português João Pedro, que acabou por sofrer numa temporada em que a equipa se apresentou tão fragilizada. Para além dos nomes já referidos para o meio-campo, no plantel há ainda Jonathan dos Santos e o rodadíssimo Baggio Husidic, o que poderia tornar o ex-vimaranense num jogador passível de ser trocado para outro conjunto.

Portland Timbers

A Cascadia é a região onde o futebol sempre encontrou berço no panorama da América do Norte e não é por acaso que em Portland o estádio está sempre cheio. Esta temporada, ficará marcada pela saída do técnico Caleb Porter, campeão em 2015, substituído por Giovanni Savarese, venezuelano com carreira nos EUA e chegado dos New York Cosmos (NASL).

O plantel mantém a sua espinha dorsal da temporada passada, com Diego Valeri como elemento mais decisivo, jogando solto como segundo avançado, atrás de Adi, um ponta-de-lança de largos recursos. O meio-campo composto por Diego Chara e David Guzman merece nota de destaque, tal como o extremo Sebastian Blanco, enquanto na defesa Liam Ridgewell continuará a ser o líder do “madeireiros”, coadjuvado por Larrys Mabiala.

Entre as novidades, destaque para Samuel Armenteros, sueco-cubano que será uma excelente opção ofensiva, enquanto Andy Polo, peruano, poderá ocupar a faixa direita do ataque. Curiosidade, também, para entender que papel poderá ter Andrés Flores, que chega do mesmo clube do treinador, e o médio paraguaio Cristhian Paredes. O que Savarese inovar, taticamente, poderá acabar por dar diferentes respostas ao que conhecemos dos Timbers, mas com tanta gente a manter-se no plantel, a expetativa é continuarmos a ver as qualidades que já lhes reconhecemos.

Diego Valeri
Diego Valeri é figura nos Portland Timbers

San Jose Earthquakes

Mikael Stahre, sueco com passagens pela China e pela Grécia, é uma escolha curiosa para o banco dos Quakes, uma equipa com larga história no futebol dos Estados Unidos, mas longe de ser um ator relevante no atual quadro da MLS. Com mais uma equipa na região da Califórnia, os Quakes correm mesmo o risco de ver a sua influência decrescer. Têm no seu plantel, ainda assim, um dos jogadores mais históricos da Liga, Chris Wondolowski, uma máquina de fazer golos que, ao longo dos anos, foi sendo pau para toda a obra na equipa de San Jose.

Dois reforços suecos podem ter relevo, por serem escolhas do técnico, com Magnus Eriksson a poder entrar como extremo-direito titular e Joel Qwiberg a ser opção para ambas as faixas laterais da defesa. O uruguaio Yeferson Quintana, defesa-central, é outra opção que poderá entrar no onze da equipa.

Danny Hoesen e Valeri Qazaishvili são dois jogadores que terão a nova época para confirmar as boas impressões deixadas em 2017. Maior rotina com a equipa e com a Liga poderão ajudá-los a ganhar relevo, mesmo estando a falar de uma equipa que deverá ter dificuldades para entrar no playoff.

Seattle Sounders

A lesão de Jordan Morris e o consequente afastamento das opções para o ano de 2018 é uma péssima notícia para os Sounders e poderá demorar a ser gerida. No entanto, a medida da reação a esta perda poderá ser fundamental para entender até onde é que o conjunto de Seattle pode chegar. À partida, fica difícil de imaginar que Brian Schmetzer não deseje mais um reforço para servir como opção para o ataque. Maiores responsabilidades para Clint Dempsey poderão sempre dar em mau resultado, tendo em conta a veterania do jogador.

A grande contratação desta pré-temporada é o norueguês Magnus Eikrem, que reforça um meio-campo onde já existe imensa qualidade. Cristian Roldan, num papel mais defensivo, Nicolas Lodeiro, mais solto, são dois dos melhores jogadores da Liga e Eikrem terá nível para estar à sua altura, caso confirme as características que lhe são reconhecidas.

Mas é na linha defensiva que os Sounders se sentem mais seguros. Chad Marshall e Roman Torres continuam a ser uma dupla de centrais imbatível, com Stefan Frei a ser um dos mais sólidos guarda-redes da competição. A saída de Brad Evans e Joevin Jones poderá levar à procura de mais um defesa, mas com Nouhou à esquerda e Leerdam à direita, caso não existam lesões, os Sounders podem apontar para uma posição de topo.

Vancouver Whitecaps

Não será propriamente fácil entender que direção os Whitecaps vão tomando, com a sua política de gestão do plantel. Carl Robinson já demonstrou ser um técnico bastante fiel às suas ideias, gozando de um acréscimo de experiência ao seu plantel, mas sem que isso tenha uma consequência seguramente positiva. Perante o conjunto de Vancouver, fica aquela impressão de que as coisas, podendo correr bem, também podem correr muito mal.

Perdendo Fredy Montero, a sua principal arma ofensiva, substituem-no por um jogador que é todo o oposto, Kei Kamara, que depois de sair dos Columbus Crew nunca mais se demonstrou ao mesmo nível. O jovem venezuelano Anthony Blondell disputar-lhe-á o lugar. Para o meio-campo chega o mexicano Efrain Juárez e o brasileiro Felipe Martins e para a defesa os centrais José Aja e Aaron Maund, que discutirão a titularidade, com Kendall Waston. Na baliza, o neo-zelandês Stefan Marinovic levou à saída de David Ousted.

A evolução do jovem Alphonso Davies poderá ser central na forma como a equipa encontra um elemento desequilibrador a partir da faixa, com Yordi Reyna e Christian Techera a serem também opções no meio-campo ofensivo. Aly Ghazal e Tony Tchani* podem continuar a formar a dupla de torres africanas no meio-campo defensivo. A forma como todos estes jogadores resultarem juntos será a resposta às dúvidas que alimentamos.

Próximo artigo: Guia MLS 2018 – Conferência Oeste (II)

*Tony Tchani foi envolvido numa troca com a equipa dos Chicago Fire a 28 de fevereiro de 2018 e não fará parte do plantel dos Whitecaps.

Nota: Artigo retificado a 3 de março de 2018, após troca de Tim Parker por Felipe Martins, que chega, assim, aos Vancouver Whitecaps. 

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