Semana 32 – Raramente me custa escrever esta reflexão semanal, compromisso que assumi comigo mesmo desde o primeiro dia em que comecei a trabalhar na formação de jovens desportistas. Não me custa porque é, quase sempre, fruto de uma ação prática que me coloca questões, me levanta problemas e, através da reflexão, tento encontrar pontos comuns com outras experiências práticas, bem como respostas em trabalhos teóricos ligados ao desporto e à educação. No entanto, ontem, dei por mim a pensar que era tempo de parar.

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Não estou envolvido na competição com o intuito de ganhar. É verdade que para as jovens que trabalham comigo, ganhar é sempre melhor do que perder, mas todos temos perfeita noção de que a nossa aprendizagem e evolução se faz bem para lá dos resultados. Esta semana, deparamo-nos com as nossas próprias limitações em termos de concentração, tomada de decisão e dedicação ao objetivo, perdendo um jogo, mas ganhando a consciência do que não fazer quando queremos atingir níveis mais elevados. Perder o jogo não me diz nada, porque sei perfeitamente o que ganho com cada experiência.

No entanto, quando o quadro competitivo é inquinado por atitudes e ações que prejudicam, sobretudo, a compreensão do jogo que estamos a tentar ensinar, então os objetivos diluem-se e perde-se o sentido do que andamos todos a fazer. Nós, treinadores, não devemos abdicar de nenhuma oportunidade, seja em treino, seja em jogo, para poder partilhar conhecimento com os nossos atletas. E o nosso dever de respeito e cooperação com os outros treinadores, obriga-nos a agir em conformidade com a compreensão dos objetivos partilhados de ensino de uma modalidade.

Quando perante uma destas situações, uma pessoa com responsabilidade ao nível técnico e pedagógico decide que pode alterar as premissas que regulam a modalidade e a sua prática de modo a “segurar” um resultado, estamos perante uma gravíssima situação de subversão do papel dos treinadores e da sua obrigação de ensinar, contextualizar e transmitir aquilo que acontece num jogo. Da minha parte, resta-me fazer o meu papel e, mantendo-me fiel aos meus princípios e responsabilidade, explicar às jogadoras que comigo trabalham aquilo que aconteceu, mas, sobretudo, aquilo que deveria ter acontecido. Que elas aprendam a jogar este jogo é, no final, um dos principais objetivos do meu trabalho com elas.

Amanhã há treino.

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