bola na varandaComeço por uma citação obrigatória de Eduardo Galeano – o mestre! – com aquela história de colocar um papel na porta “fechado para futebol” sempre que uma grande competição começava. Continuo a não ter os tomates para fazer isso, mas a verdade é que os dias se contaminam com o início do Euro, como se estivesse dentro de um labirinto do qual só vou sair depois do dia da final.

Se fosse de colar papéis na porta, seria mais um a dizer “aberto para futebol”. Porque aquilo que este desporto me deu foi um mapa onde arrumar as memórias, uma linha pela qual descobrir o mundo, uma fala onde encontrar um rumo para conhecer outras pessoas. Olho para trás – este é mesmo um post sobre citações, cuidado – e releio-me a escrever isto em 2010: “Para mim o futebol é esta tentativa de organização do que era, antes, apenas um conjunto de bons rapazes. Na vida, é isto mesmo que cada um de nós espera conseguir.” Continua atual na minha filosofia.

Por isso, no dia em que vai mesmo começar o Euro 2016, substituo a ideia de colocar uma bandeira ou um cachecol de um qualquer país pendurado na varanda e meto uma bola de futebol. Uma daquelas bolas que já foi chutada milhares de vezes, já foi deixada ao sol e à chuva, mas que resiste, redonda e brilhante, como sinónimo dos sonhos. É a palavra-passe para me encontrarem.

Venham viver futebol.

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