modric adrienExperimentem ao fim de 116 minutos de jogo estarem já numa situação em que, vendo um golo da vossa equipa, não se podem manifestar. Passei por isso há pouco, já em estúdio, no Eurosport, a comentar o Seattle Sounders – New York City enquanto num pequeno ecrã Cristiano Ronaldo rematava para grande defesa de Subasic e Ricardo Quaresma empurrava para a vitória portuguesa.

Mas comecemos pelo princípio. Fernando Santos tirou do onze os jogadores que, fisicamente, já não conseguiam dar mais, deixando apenas André Gomes, que nesta fase da época, também não consegue render mais de 45 minutos. Adrien foi lançado para travar Modric e a ocupação do meio-campo limitava, e de que maneira, as acções croatas. Por isso mesmo, a Croácia, mesmo com muito mais bola nos minutos iniciais, não conseguia criar perigo. Portugal também não, com Cristiano Ronaldo sempre muito preso entre os centrais croatas, mas esse não era problema para o Engenheiro.

Sabíamos todos com o que contar quando a Federação assinou com este técnico. Já o conhecíamos de anos na Liga Portuguesa e pudemos aprofundar isso mesmo enquanto esteve na frente da Seleção grega. Conte com o que contar em termos de talento, o importante para Fernando Santos é não ceder defensivamente. E foi nisso que apostou nos primeiros 45 minutos, para depois lançar Renato Sanches para o meio e puxar Nani para a faixa direita, tentando ganhar algum predomínio territorial.

Foi o melhor período de Portugal, ainda que sempre algo preso na saída para a transição, fosse pelas dificuldades que Nani ia demonstrando, fosse por falhas no último passe, não conseguindo levar a bola a Cristiano Ronaldo. A Croácia, diga-se, nunca tentou ripostar com intensidade, deixando-se enlear na situação da partida e acabando o jogo sem um remate enquadrado à baliza de Rui Patrício.

O prolongamento viu Portugal descer no terreno, com Danilo a substituir um já muito fatigado Adrien, enquanto a Croácia subia à procura do golo. No entanto, nessa subida acabou por estar a chave do jogo, com os portugueses a aproveitarem uma situação de contra-ataque para fazer o golo. Um final dramático, quase tão dramático como as grandes penalidades, com a Croácia a acabar com dez jogadores na área de Portugal mas, mesmo assim, sem acertar na baliza.

A rede encheu-se, durante os 120 minutos, de mensagens negativas sobre o futebol, Portugal, o Euro, tudo. Cansaço de um jogo demasiado calculista e pensado, sem a emoção das defesas abertas e das grandes defesas dos guarda-redes. A verdade é que as equipas estão mais conscientes das suas fraquezas do que das suas forças. E se Portugal teve uma partida “apagada” em termos de procura ofensiva, a Croácia fez, de longe, o seu pior jogo neste Europeu. A justiça, no futebol, mede-se em golos. E, desta vez, foi Quaresma o herói da decisão.

Sexta-feira haverá mais.

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