Em setembro de 1990, mais precisamente no dia 12, a antena parabólica de casa dos meus pais sintonizou-se para a curiosidade do momento. As Ilhas Faroé estreavam-se em competições oficiais e a distância encurtava-se com aquelas imagens de um terreno de jogo que vinha do frio.

O adversário era a Áustria, que tinha estado no Itália 90, com o Herzog, o Rodax ou o Polster. No entanto, do outro lado, os desconhecidos eram muito mais do que o folclore do barrete de Jens Knudsen, um guarda-redes que haveria de entrar na história. Por causa dele, não sofreu a equipa das Ilhas Faroé qualquer golo naquela tarde/noite de setembro. E por causa da Torkil Nielsen, eternizou-se a camisola branca com o número sete daquela seleção de desconhecidos, faturando um golo mítico.

Foi há mais de vinte e seis anos. O puto de onze anos que aprendeu a manobrar a antena parabólica só para conseguir encontrar jogos de futebol e perseguia o feito de ver equipas que, pelo menos lá na escola, nunca ninguém tinha visto e muitos nem sonhavam que existia, era bem capaz de ficar satisfeito se lhe dissessem que, tantos anos depois, ainda iria andar encantado com as Ilhas Faroé (ele não se imaginaria de outro modo) e que até lhes estudava os movimentos porque, pela primeira vez na história, uma seleção portuguesa ia jogar ali (talvez isso lhe custasse, vinte e seis anos é muito tempo de espera).

Não é propriamente um ciclo que se fecha. É uma história que continua, revisitando-se a si mesma.

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