A distância entre plano e execução que se percebeu, na noite passada, em Alvalade, terá custado ao Sporting um lugar nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Numa primeira parte em que o primeiro erro defensivo dos leões deu golo de Aubameyang, a ansiedade de não voltar a errar criou um autêntico fosso entre ideia e prática.

As duas linhas muito recuadas que tentavam dinamitar o espaço ofensivo do Borussia de Dortmund, com os dois avançados, Bas Dost e Markovic, a mal esboçarem algum tipo de pressão na primeira fase de construção, criaram as condições ideais de espaço e tempo para que os alemães pudessem desenhar o seu jogo ofensivo e, durante quarenta e cinco minutos, elaborarem oportunidade atrás de oportunidade de golo.

Mas como foi isso possível se o Sporting até esboçou, nos minutos iniciais da partida, a vontade para ser ele o determinador do ritmo de jogo? Velocidade de aprendizagem. Nos minutos iniciais, a equipa do Borussia Dortmund comete alguns erros de abordagem ao adversário, imediatamente corrigidos e transformados em vantagem. Por seu turno, na equipa leonina, a lentidão das correções permitiu o repetir de falhas até se estar a perder 0-2.

Quando Jorge Jesus fala em “equipa de Champions”, penso que é a isto que se está a referir. Aliás, é uma situação que vemos uma e outra vez repetida nos jogos de equipas portuguesas frente a conjuntos estrangeiros. Poder-se-á dizer que na Liga portuguesa não se encontra o estímulo suficiente para gerar este tipo de capacidade, mas creio até que o problema já vem a montante, quando na formação não conseguimos criar contextos em que os jovens tenham a necessidade de se adaptar rapidamente a instruções diferentes. Aprender com a prática e reagir à indicação.

É o cérebro quem manda dentro do campo de futebol.

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