Não sei o que esperam mais os adeptos do futebol de um jovem jogador de 18 anos que termina uma temporada como uma das figuras principais de uma equipa campeã nacional, sendo elemento importante de uma seleção campeã europeia. Muitos jogadores dar-se-iam por satisfeitos por atingir esse ponto no final de uma carreira, o que dizer de um cuja carreira estava apenas a começar.

Entre 25 de Novembro de 2015, data da primeira vez em que foi titular na equipa do Benfica, em jogo da Liga dos Campeões, frente ao Astana, até 10 de Julho de 2016, quando foi titular na final do Europeu frente à França, Renato Sanches viveu o sonho. Os seus golos apenas duas vezes foram decisivos, em Guimarães, com a camisola do Benfica, e nos quartos-de-final, frente à Polónia, com a camisola da seleção, mas as duas equipas exploraram ao máximo as qualidades do jovem da Musgueira.

Capacidade física, explosividade com bola, rebeldia para dar e vender, foram autênticas dádivas para treinadores como Rui Vitória e Fernando Santos que, aquando da sua chamada à titularidade, lidavam com conjuntos amorfos e pouco agressivos a partir do meio-campo. Foi esse aparecimento, aos 18 anos, como um milagre se tratasse, que fez com que o Bayern de Munique nem pestanejasse quando veio assinou o cheque que o levou para a Alemanha.

O que esperava Renato Sanches na Baviera não era nem o Benfica de Novembro de 2015, nem a Seleção portuguesa de Junho de 2016. O Bayern vivia de uma ideia de jogo pós-Guardiola onde um jogador com as características de Renato Sanches teria sempre dificuldades para entrar. Mas isso nem sequer era preocupação para a estrutura do clube de Munique.

A primeira temporada de Renato Sanches no Bayern seria sempre de aprendizagem. Oferecendo-lhe experiências e tempo de jogo numa posição mais recuada do que aquela a que estava habituado, obedecendo dessa forma ao seu tipo físico, ensinando-lhe princípios em termos de posicionamento e passe que, no contexto em que cresceu em Portugal, nunca teve que abordar de forma intensiva. Renato não falhou no Bayern porque nem foi chamado para exame.

As palavras de Carlo Ancelotti no início de temporada foram claras. O tempo de Renato Sanches, agora com 20 anos, continua a ser o de crescer. Crescer enquanto jogador, procurando dar respostas às necessidades que uma equipa como o Bayern tem. Se o quisesse fazer em Munique, continuaria a sua aprendizagem, com tempo de jogo limitado. Se o quisesse fazer fora, manteria o apoio do treinador.

Swansea é, a meu ver, o ambiente perfeito para que as características de Renato Sanches, apuradas depois de um ano de aprendizagem em Munique, possam florescer. Pela forma como se joga em Inglaterra, pelas responsabilidades que os Swans têm na maioria dos jogos, por encontrar em Paul Clement um técnico que já o conhece, tal como conhece bem as ideias de Ancelotti.

Um empréstimo sem cláusula de compra é, também, o ideal para o Bayern. Confirmando-se o crescimento de Renato Sanches dentro do panorama que tem para a sua equipa, tem ali a primeira contratação de vulto para 2018/19. Caso o internacional português se demonstre mais indicado para um jogo de espaço e explosividade, a Premier League terá resposta em termos de uma exigência maior no que toca ao preço.

Só se pode ganhar, quando se contrata um dos jovens mais promissores da Europa, por um preço (35M €) que soa mínimo perante a loucura especulativa dos mercados. Mesmo que o jogador nunca chegue a cumprir o que prometeu. Algo que, no caso de Renato Sanches, está ainda muito longe de ser, sequer, temido pelo Bayern.

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