A transferência de André Horta do Benfica para o Los Angeles FC é uma boa notícia. Em primeiro lugar, para o Benfica, que lucra com um jogador que parece não contar para o seu plantel. Em segundo lugar para a MLS, que consegue captar mais um jovem bastante promissor para o seu campeonato cada vez mais recheado de talento. Finalmente, para o jogador, que se transformará numa figura de topo num campeonato com público e, cada vez mais, expressão mundial.

Anunciada por um valor de 5,7 milhões de euros, a transferência de André Horta para a MLS insere-se numa tendência recente de vermos a Liga do Estados Unidos adquirir jovens talentos, que dão mais atração à sua prova e permitem a entrada da competição no grande mercado de transferências internacional.

A chegada de André Horta teve um precedente na época passada, quando o internacional eslovaco Albert Rusnak, nascido em 1994, se transferiu para os Real Salt Lake. Os valores em causa (pouco mais de 400 mil euros) são diferentes, o que pode levar à ideia de André Horta ser um caso único, mas o potencial dos jogadores estará ao mesmo nível. André Horta é, na atualidade, titular do SC Braga, equipa de Liga Europa e quarto classificado da Liga NOS, jogador dos Sub-21 portugueses e com contrato com o Benfica. Tudo isso colabora, junto ao facto de ir para uma equipa que tem, neste momento, muito maior destaque, para o status que o jogador beneficia nesta viagem para o lado de lá do Atlântico.

Não será, no entanto, a aquisição mais cara da temporada. O ainda mais jovem argentino, Ezequiel Barco, viajou do Independiente, vencedor da Copa Sudamericana, para os Atlanta United, equipa dos recordes, depois de na temporada ter tido também o primeiro lugar da tabela das transferências com a chegada de Miguel Almirón. Ambos eram disputados por equipas europeias. Ambos optaram pela MLS para desenvolver a sua carreira.

André Horta aumenta uma lista de jogadores que chegam enquanto Sub-23 à MLS. Para além das contratações realizadas, dominada pelos nomes da América do Sul, juntam-se ainda um conjunto de jogadores que foram chegando, por empréstimo, que incluem argentinos (Yamil Asad) e muitos venezuelanos (Jefferson Savarino, Josef Martínez e Yangel Herrera), entre outros.

Porquê os Estados Unidos?

A MLS utiliza, cada vez mais, a plataforma americana para buscar talento. Depois de um grande investimento ao longo dos anos em academias de formação, que aumentaram o nível do jogador dos Estados Unidos, mas também do Canadá e das equipas da América Central, começou a fazer sentido ir mais além nesta busca de talento. Num tempo em que as limitações aos estrangeiros nas principais ligas europeias e a grande concorrência nestes mercados foram limitando a chegada de todos os talentos identificados na América do Sul, ter nos Estados Unidos uma porta aberta parece ser muito atraente para jovens jogadores.

Para além do mais, a MLS é hoje uma realidade bem diferente de há uma década atrás. A Liga tem cada vez mais equipas e maior investimento, muito maior impacto ao nível mediático, um pouco por todo o mundo, estádios cheios e salários significativos. Se a chegada de alguns jogadores veteranos continua a ser uma realidade, com Andrea Pirlo, Kaká, Frank Lampard ou Steven Gerrard a chamarem a atenção, é a atitude competitiva de David Villa (que regressou à seleção espanhola já como jogador dos New York City) ou Sebastian Giovinco que marcam a tendência na Liga. Zlatan Ibrahimovic, outro dos jogadores que acaba de chegar, irá poder comprovar isso mesmo na primeira pessoa.

O que espera André Horta

Uma das grandes críticas a esta transferência prende-se com o facto de André Horta descer o seu nível competitivo ao mudar-se para a MLS. Sendo um facto que, nos Estados Unidos, o seu ordenado aumenta, mas não encontrará equipas ao nível de FC Porto, Sporting ou Benfica, a verdade é que o nível de jogo desta competição tem crescido imenso nos últimos anos. A chegada de treinadores como Patrick Vieira e Gerardo Martino coloca novos desafios ao futebol ali praticado. Sendo, na base, ainda um jogo de transições rápidas, com muito foco na tentação de criar superioridades numéricas, cada vez mais se observam organizações defensivas mais desenvolvidas, com especial foco na pressão alta (uma tendência que toca a maioria das equipas esta época) e conjuntos com qualidade para jogar a bola a partir da primeira fase de construção.

Andrew Wiebe, jornalista do site MLSsoccer.com,  vê André Horta como o potencial camisola 10 da equipa dos Los Angeles FC, deslocando Carlos Vela para a faixa esquerda, enquanto Diego Rossi e Latif Blessing disputarão a faixa direita. Na frente, o costa-riquenho Marco Ureña continuará a beneficiar da quantidade de jogo ofensivo produzido. Outra opção, será a de ver Horta como um dos médios mais recuados, fazendo dupla com o canadiano Kaye, podendo empurrar Feilhaber para uma posição mais adiantada.

Na sua equipa terá o jovem João Moutinho, uma das mais recentes adições portuguesas ao lote de jogadores da MLS, onde Pedro Santos vai brilhando intensamente em Columbus, enquanto Gerso Fernandes, João Pedro e Rafael Ramos lutam pela titularidade nas respetivas equipas.

O impacto da MLS fora do continente americano também se tem verificado nas transferências realizadas para a Europa. Vários dos jogadores que chegaram recentemente são seguidos por equipas europeias. DeAndre Yedlin e Matt Miazga são dois talentos dos EUA que viajaram para a Premier League, Jack Harrison assinou recentemente pelo Middlesbrough, do Championship, enquanto Fabián Castillo e Cyle Larin saíram para a Turquia. Tudo aponta para que um par de épocas a grande nível na MLS, poderá valer a um jogador como André Horta um regresso em grande ao continente europeu.

Por isso mesmo, André Horta, que irá ajudar a MLS a aumentar o seu nível e qualidade, poderá acabar por ser ajudado pela MLS no desenvolvimento da sua carreira.

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