Marcel Keizer surpreendeu, no encontro frente ao SC Braga, com um 3-4-3 que baralhou adversário e analistas. A questão lançava-se no onze inicial, que não permitia descortinar a alteração. A chave esteve no posicionamento de Borja, que foi “amarrado” para aprender a dançar neste novo sistema de baile.

Na antevisão da partida, na SIC Notícias, discutia com Marco Caneira e Pedro Fatela o risco do Sporting voltar a assumir a defesa frente a uma equipa com dois avançados-centro no seu habitual 4-3-3. Até aqui, a solução de Keizer tinha sido sempre a de baixar linhas, concentrando um bloco que retirasse espaço aos seus adversários, em jogos com o Braga e FC Porto. Perante o Benfica, com a necessidade de ter uma abordagem mais ofensiva do jogo, acabou por sofrer exatamente nessa zona (o mesmo tendo acontecido nos minutos iniciais da partida frente ao Villarreal).

O Pedro Fatela lançava a hipótese do Sporting ter que procurar num dos laterais, a fechar por dentro, a solução para este este problema, já que todos estávamos de acordo que Gudelj não teria as características para se transformar num terceiro central no momento defensivo. O problema estava, uma vez mais, no onze apresentado por Keizer. Ristovski parecia ser o lateral mais preparado para assumir missões defensivas. E faltaria solução para fazer a faixa direita. Mas Marcel Keizer tinha pensado noutra solução.

Como transformar um lateral num central?

Cristián Borja distinguiu-se sempre por ser um lateral de características ofensivas. Mas, tendo Acuña disponível para fazer a faixa lateral esquerda, era ele a solução mais provável para fechar por dentro. Como transformar um lateral num central? A resposta, no imediato, foi simples. Amarrá-lo no corredor central, descaído na esquerda. A primeira desconfiança nascia do facto de se ver Ilori a descair na direita e Coates mais no meio. Mas rapidamente se percebeu, no estádio e na análise dos dados, que Borja funcionava sempre numa linha de três defesas, procurando “marcar” o avançado que caísse do seu lado.

Abel Ferreira também foi lesto a perceber isso e logo aos dez minutos tentava chamar a atenção aos seus jogadores, aproveitando uma pausa criada por uma lesão de Sequeira. No banco, o seu adjunto mostrava-lhe imagens do jogo, pelo telemóvel, para confirmar o acontecimento. Cristián Borja fez um jogo singular na sua carreira. Das 56 vezes que tocou na bola, apenas três foram no meio-campo ofensivo. E a partir deste novo sistema, Marcel Keizer conseguia dar conforto a todos os seus jogadores. Wendel e Gudelj mais livres na forma de gerir o seu posicionamento. Ristovski e Acuña com espaço para explorar profundidade. Diaby em espaços mais centrais, onde claramente se sente mais à vontade. Bruno Fernandes como o maestro de cerimónias que marca a diferença nesta equipa.

Mapa dos toques de bola de Cristián Borja, no jogo frente ao SC Braga (Fonte: WhoScored)

Sporting, um caso de estudo

A temporada verde e branca parece mais longa do que as outras. Pela singularidade dos acontecimentos no início da época, pela necessidade de estar a alinhavar o plantel constantemente (só esta semana saíram Montero, Nani e Castaignos), pelo tempo de adaptação que Marcel Keizer necessita num contexto bastante complicado de competições a disputar e ambições um pouco acima das realidades da equipa.

O técnico holandês tinha perdido o pé na forma de abordar os jogos a partir da segunda parte do encontro frente ao Tondela. Mas a forma como conseguiu reagir nesta partida frente ao Braga, num jogo decisivo para manter algum tipo de objetivo em aberto na Liga NOS (o terceiro lugar), permite-lhe um novo fôlego. Curiosamente, o técnico holandês tem-se sentido mais à vontade nos jogos mais exigentes, demonstrando que apesar de tudo, é a partir do momento defensivo (baixando o bloco ou avançando para os três centrais) que pensa melhor o jogo. Quinta-feira, em Villarreal, há mais.

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