México e Estados Unidos são históricos dominadores do futebol da CONCACAF, a grande distância, em meios e condições para desenvolver talento e atingir níveis de profissionalismo da maioria dos outros países da confederação. A cada Gold Cup, entendemos como o futebol não equilibra tudo. Mas começam a dar-se passos nesses sentido.

Ontem, pela primeira vez, disputaram-se jogos da Gold Cup fora do território do México, Estados Unidos e Canadá. Foi a Costa Rica quem recebeu esses primeiros encontros, com os estreantes das Bermudas a abrirem o marcador, mas a acabarem derrotados por um Haiti mais forte. Esse é o tipo de encontros que nos leva a ver esta competição. Jogos onde a grande maioria dos jogadores são praticamente desconhecidos e onde procuramos encontrar sinais de um futebol que quase nunca passa na televisão. O segundo jogo disputado, com a Costa Rica a receber a Nicarágua, já seguiu uma receita mais habitual. Vitória gorda por 4-0.

As goleadas sucedem-se na Gold Cup como em mais nenhuma grande competição continental. Canadá, a viver um dos melhores tempos no que toca a talento na sua seleção nacional, venceu fácil perante Martinica por 4-0, enquanto o México goleou por 7-0 uma equipa de Cuba que continua a sofrer os efeitos do seu isolamento futebolístico. Os passos rumo a um futuro de maior equilíbrio sucedem-se, já esta madrugada, com dois encontros a serem disputados em Kingston, capital da Jamaica, país que alcançou a final nas últimas duas edições da prova.

Todas as finais da Gold Cup contaram sempre com México (8 presenças, 7 vitórias) ou Estados Unidos (10 presenças, 6 vitórias). O Canadá jogou uma final, que venceu, em 2000, sendo que Brasil, Panamá e Jamaica, por duas vezes, Honduras, Costa Rica e Colômbia, uma vez, foram os outros países a atingir o jogo mais desejado. Falta esse último passo, agora que o território foi alargado para que outros países possam receber a competição, vê-los também com capacidade para a vencer.

Curiosamente, esse caminho poderá acabar facilitado pelo trabalho de formação realizado pelos Estados Unidos. 63 jogadores nesta competição alinham em equipas estadounidenses, enquanto 14 dos 16 jogadores que alinham em equipas canadianas competem na MLS. São 77 jogadores, 28% do total, a terem essa ligação, fora uns quantos outros que já passaram por academias ou equipas profissionais de conjuntos da MLS ou da USL, os dois grandes organizadores de provas nos Estados Unidos.

O futebol norte-americano cresce, assim, com o fluxo de dinheiro para o profissionalismo no México (que também está largamente representado na Copa América) e a estrutura de formação e profissional que se desenvolve nos Estados Unidos. Depois de anos de domínio competitivo, começa a funcionar uma contaminação com países próximos. Quantos mais jogadores os Estados Unidos formam e levam até ao profissionalismo, mais os países vizinhos têm jogadores inseridos nesse quadro competitivo mais exigente. Seja o Canadá, a Jamaica, a Costa Rica ou as Honduras, quando um destes países vencer a Gold Cup, terá sempre que entender que parte do seu desenvolvimento passou, também, pelo “irmão maior” do continente.

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Publicado por Luís Cristóvão

Comentador na Antena 1, Eleven Sports e SIC Notícias. Autor no Expresso. Analista de futebol, fala e escreve sobre desporto em vários meios de comunicação social.

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