A Colômbia de Carlos Queiroz é a primeira equipa apurada para os quartos-de-final da Copa América, ainda que ontem, frente a um Qatar muito bem organizado, tenha sofrido para alcançar a vitória.

Um confronto entre dois selecionadores europeus, com equipas bastante distintas entre mãos, animou a noite do Morumbi, em São Paulo. À distância, poderia parecer um encontro com poucos motivos de interesse, entre um dos favoritos e o convidado que mais arquear de sobrancelhas gera nesta edição. Mas focando-nos no jogo, percebemos como a parada de perguntas e respostas táticas encheu o relvado paulista.

Era uma Colômbia segura da sua vitória perante a Argentina na jornada inaugural, mas ciente de que a forma como a tinha conseguido não lhe valeria assim tanto para o jogo frente aos qataris, que já tinham feito boa exibição perante o Paraguai. Desde logo, na sua organização defensiva, a equipa de Félix Sánchez mostrava ao que vinha, posicionando dois homens junto de Barrios e cortando, desde logo, o fornecimento ao cérebro da primeira fase de construção cafetera. Com um bloco a organizar-se muito bem atrás, o Qatar também não permitia, nem espaço a Roger Martínez, nem muitas bolas para Zapata.

A Colômbia, com um James Rodríguez mais solto, tentava não abdicar de uma ideia de controlo com bola, ainda que o jogo pudesse convidar a maior risco nos cruzamentos para área, onde o seu ponta-de-lança tinha clara superioridade para a disputa de duelos aéreos. Com problemas para criar, puxou Uribe para se alinhar com Barrios, aumentando as opções de passe na construção, lançando Cuadrado para a faixa direita, de onde esperava outro tipo de desequilíbrios. No entanto, durante quase toda a partida, o sucesso defensivo dos qatarias comprovava que, por um lado, a equipa aparece preparada para competir a este nível, por outro, faz realmente escola (veja-se o exemplo da Arábia Saudita) no Médio-Oriente um futebol de passe e toque, com forte organização do bloco, para responder a fragilidades físicas e de velocidade que os jogadores desta zona do globo sempre denotaram.

O golo acabou por aparecer a partir de uma trivela sonhadora dos pés de James, a encontrar a cabeça do inevitável Zapata. Mas o Qatar não joga, aqui, pelo resultado, mas, sim, pela forma como confirma anos de trabalho na Academia Aspire, nas equipas locais e nos clubes europeus onde tem rodado os seus jogadores. Do outro lado do campo, Carlos Queiroz demonstrou aos seus jogadores que não basta ser bom frente aos melhores, é preciso ser implacável frente às equipas que se apresentam como inferiores. No fundo, é essa mudança de mentalidade com vista a encarar todos os jogos como finais que poderá fazer a diferença nos desafios que o treinador português terá que enfrentar nesta aventura sul-americana.

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Publicado por Luís Cristóvão

Comentador na Antena 1, Eleven Sports e SIC Notícias. Autor no Expresso. Analista de futebol, fala e escreve sobre desporto em vários meios de comunicação social.

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