Quaresma PortugalQue alívio chegar ao dia em que já não há mais jogos amigáveis para seguir. As semanas prévias de uma grande competição trazem consigo este festival de jogos em que o interesse fundamental pertence aos treinadores, onde muitas das pessoas que os seguem não entendem que transferência se pode fazer do amigável para o oficial, onde o entusiasmo ou o temor não deixam de ser, quase sempre, terrenos vazios.

Ora, um jogo amigável é fundamental para um treinador testas as suas ideias. Sendo óbvio que os jogadores escolhidos já foram imensamente observados durante a temporada, sendo conhecidos até ao mais ínfimo detalhe, importa entender como estão neste momento e que respostas darão neste nível de evolução das ideias do treinador. Por isso mesmo, na mente do treinador acontece um jogo completamente diferente, que pouco se preocupa com o seu resultado, mas procura, sobretudo, entender as pequenas dinâmicas que considera necessárias para a evolução da equipa.

As bancadas cheias e o sofrimento demonstrado por adeptos perante um encontro destes é uma manipulação das massas que pouco se liga ao que acontece, de facto, no relvado. Pede-se só mais um como se os golos contassem, chora-se e sofre-se como se a vitória fosse o único caminho para o sucesso, canta-se repetidas vezes o hino que em momento algum nos diz seja o que for sobre a equipa. O que podemos retirar daqui? É que tanto pode ser muito bom uma equipa vencer por quatro ou cinco, se realmente ultrapassou dificuldades e elaborou as dinâmicas trazidas do treino, como pode ser ainda melhor empatar a dois, porque o foco do treinador estava em entender como melhor o trabalho de construção ofensiva, permitindo algum repouso às suas principais opções defensivas. Era preciso perguntar ao treinador quais eram os objetivos deste jogo – porque no caso dos amigáveis, a maior parte das vezes, não há como adivinhar – e elaborara a nossa análise a partir daí.

Finalmente, vamos todos contentes para o Euro porque ganhámos os amigáveis todos – e depois descobrimos que, afinal, os nossos adversários também ganharam os deles e têm tanto direito ao entusiasmo quanto nós. Por outro lado, há quem apanhe grandes sustos nesta fase e depois entra nos jogos oficiais a saber exatamente o que fazer. Dá para entender?

Dito isto, não há melhor maneira do que terminar os jogos amigáveis do que com uma goleada por 7-0, com grandes golos e evidentes sinais de saúde por parte de muitas das peças essenciais da equipa portuguesa. Deu-nos gozo. Agora é esperar que esta cambada repita a dose em França.

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