Em conversa com um treinador português, falava da qualidade dos jogadores da Liga NOS. Sugere-me ele que, encarando a falta de qualidade dos jogadores, por vezes será melhor organizar a equipa para não ter a bola, podendo aí obter-se o “sucesso” que vem dos resultados. Somamos pontos jogando com as nossas forças. Fácil de perceber.

Curiosamente, na entrevista que Carlo Ancelotti deu ontem à RMC Sport, a qualidade também veio à discussão. O tema era Mario Balotelli. Para o treinador italiano, neste caso, a qualidade existe, sem dúvida alguma. Faltará, no entanto, seriedade na forma de encarar o seu trabalho, bem como continuidade, para que se possa ter “sucesso”.

Na verdade, o “sucesso” é um valor bastante subjetivo.

No caso de uma equipa, associa-se muitas vezes aos resultados, embora exista muito quem duvide de que um título com um estilo de jogo mais pobre não é, propriamente, bem “sucedido.

No caso de um jogador, está mais vezes associado ao que este consegue fazer em campo, embora também se possa escutar, tantas vezes, que apesar de jogar “bem”, o jogador não tem condições de “sucesso” em termos de intensidade num nível mais elevado.

Portanto, sabemos do que falamos, quando mencionamos ideias como “qualidade” e “sucesso”? Será no desentendimento que surge de questões como estas que, muitas vezes, se perde a discussão sobre o que realmente se passa em campo. Na minha opinião, o que o jogo tem terá sempre que ultrapassar o vago que estes conceitos apresentam. Não me interessará tanto a qualidade ou o sucesso, como o entendimento do que cada equipa faz ou pode fazer para poder abordar os desafios que tem pela frente.

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