Cinco jogos, duas vitórias e três empates, dois prolongamentos, um com vitória para o lado dos portugueses, outro desempatado, com derrota, no penaltis. O balanço da estreia de Portugal na Taça das Confederações faz-se, no que toca a resultados, de forma positiva, acabando num terceiro lugar sem nunca ter perdido nos 90 minutos de jogo. Fernando Santos tem insistido num discurso resultadista e sairá satisfeito, ainda que não tenha sido, desta feita, campeão. No entanto, devemo-nos questionar se um balanço de uma selecção se pode fazer, exclusivamente, em termos de resultados.

Ao longo dos últimos trinta anos, a selecção de Portugal tem cruzado na sua liderança, ora técnicos com uma visão mais resultadista, ora técnicos que encaram a equipa nacional como o ponto cimeiro de uma estrutura que inclui todo o futebol nacional, incluindo a formação. Se Carlos Queiroz, entre 1991 e 93 e, mais tarde, entre 2008 e 2010, teve uma clara intenção de pegar no todo do futebol nacional enquanto seleccionador, uma ideia que, pelas respectivas convocatórias e histórias, terá tido seguidores em técnicos como Humberto Coelho e Paulo Bento, António Oliveira (nas suas duas missões) e Luiz Felipe Scolari foram, de uma forma clara e assumida, treinadores resultadistas, na mesma linha em que Fernando Santos hoje se afirma.

Ao ter uma competição considerada secundária num ano entre Europeu e Mundial, um treinador mais preocupado com uma visão aprofundada do futebol nacional, teria optado por chamar alguns jogadores que pudessem funcionar como opções para o futuro. No entanto, para Fernando Santos, assegurar continuidade ao grupo de jogadores que escolheu como referência é interesse superior ao do futebol português, pensando ele que uma vitória num jogo ou numa prova alimenta mais o futuro do que a forma como se planeia a médio e longo prazo.

Por isso mesmo Rui Patrício fez cinco jogos, a linha defensiva apresentou jogadores como Bruno Alves (35), Pepe (34), José Fonte e Eliseu (33), enquanto do meio-campo para a frente, a insistência em jogadores como André Gomes ou Nani nos fazem duvidar das palavras do seleccionador quando este afirma que põe “sempre aqueles que estão em melhor forma”. Para vincar as suas escolhas, Fernando Santos chegou ao ponto de clamar por saudades de Ricardo Carvalho que, aos 39 anos, fez ontem o seu primeiro jogo do ano na Superliga Chinesa.

Um balanço exibicional revela-nos que, na equipa portuguesa, falta uma ideia de jogo que possa ser característica a este grupo ou treinador. Sendo verdade que jogadores como William Carvalho, Adrien Silva, Bernardo Silva, Ricardo Quaresma ou Cristiano Ronaldo estiveram, a espaços, em evidência, são as suas qualidades individuais que o fizeram merecer. Ao contrário, por exemplo, do consulado de Rui Jorge na selecção de Sub-21, onde passam os jogadores mas se fixa o modelo, com Fernando Santos, a perseguição do resultado vai deixando um vazio evidente na qualidade do jogo e na antevisão do dia seguinte a uma eventual derrota (que, como é certo e seguro, acabará por chegar).

Diria então que estar satisfeito com os resultados ou com exibições individuais é comprometer o futuro imediato de uma equipa que, ao contrário de viver no presente, insiste em permanecer no passado. Permanência essa que saiu reforçada com a conquista do Europeu, que não está em causa, mas que é bom que se perceba que, no alto rendimento, vale apenas o que vale. Aconteceu há um ano e, se não trouxe consigo uma estabilidade exibicional, emocional e ideológica ao que é o jogo desta equipa, então servirá apenas para ser revista na RTP Memória. E isso, por muito bonito que seja, não vai chegar. Já não chega.

Anúncios