A primeira passagem de Marcelo Bielsa por França, ao serviço do Marselha na temporada 2014/15, teve o condão de modificar a forma como se discutia o futebol no país. A ideologia de jogo defendida pelo argentino, a forma como este expunha os seus princípios nas conferências de imprensa e o feedback que se recebia da parte dos jogadores que se viam expostos a um trabalho táctico novo para a maioria levaram a essa mudança.

Por isso, não é de espantar a ânsia de novidade que o regresso do argentino provoca, mesmo estando a falar de uma competição onde Leonardo Jardim, com o AS Monaco, e Unay Emeri, com o Paris SG, proponham já interessantes discussões sobre o como fazer para alcançar o sucesso.

Das primeiras impressões do Lille de Bielsa, versão 2017/18, em jogo de preparação frente ao Stade de Reims, ficam os sinais claros das ideias do argentino na forma como é esperado que a equipa se demonstre bastante ofensiva sempre que tem a bola, mantendo a agressividade quando esta está do lado adversário. No entanto, pressente-se também uma adaptação de conceitos para a realidade de uma equipa que estará, em princípio, “apenas” na luta por um lugar europeu.

Com bola, os laterais funcionam muito adiantados, cabendo aos dois médios mais recuados a tarefa de abrir espaços de penetração da bola após a primeira linha defensiva adversária. Ainda assim, os dois centrais têm liberdade (e incentivo) para procurar uma linha de passe directamente na faixa. Os dois elementos do meio-campo têm características muito diferentes. Amadou mais fixo, a não demonstrar exuberância na saída para o ataque, Thiago Mendes todo o seu contrário, acelerando algumas vezes com bola para desequilibrar as linhas recuadas do Stade de Reims.

Os dois extremos oferecem soluções diferentes à equipa. Na direita, El Ghazi surge um pouco mais aberto, apesar de ter no lateral do seu lado um elemento que oferece bastante profundidade. Na esquerda, Luiz Araújo aparece muitas vezes perto de De Préville, funcionando como um elemento que vive no espaço do segundo avançado. O entendimento destes três elementos dependeu, neste jogo, do posicionamento de Benzia, vestindo a camisola 10 e beneficiando de muita liberdade para se deslocar na largura do terreno. Ora ele, ora Luiz Araújo apareceram, também, a procurar a bola num espaço mais recuado.

Sem bola, a equipa de Marcelo Bielsa já demonstra alguma capacidade de alterar ritmos na forma de pressionar a saída adversária. Conseguiu algumas recuperações no meio-campo adversário, pressionando de forma colectiva e retirando espaços para uma construção tranquila, experimentando em alguns momentos do encontro uma subida em bloco para tentar retirar todo o ar aos adversários. No entanto, aqui estará uma das situações que Bielsa tem vivido como contradição. A exposição aos contra-ataques do Stade de Reims sentiu-se, contando para isso com a velocidade dos centrais Alonso e Edgar Ié, bem como de Amadou, para recuperar a bola em desvantagem. Esta situação, minimizada perante um adversário como o Stade de Reims, pode representar uma fragilidade de maior complexidade em jogos da Ligue 1.

O onze do Lille frente ao Stade de Reims:

 

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