O aproximar do início da temporada é o momento certo para regressar a uma entrevista a Fran Garagarza, director desportivo do Eibar. É uma entrevista com mais de um ano, recordada num artigo do site Ecos del Balón. Nessa entrevista, Garagarza reflecte sobre o “Modelo Eibar” para falar de uma equipa pequena, inserida num contexto local com enorme competitividade e, ainda assim, capaz de se manter e competir na principal divisão do futebol espanhol.

A certo ponto, na sua entrevista, fala sobre a formação do plantel.

Entendemos que para seguir en Primera tenemos que ser un club que se adelante a otros, que sea rápido en la toma de decisiones y que tenga buenos activos en el campo, que tenga salarios importantes y que estemos protegidos a nivel de cláusulas. El futuro del Eibar va a ir por ahí, por tener una plantilla con grupo afianzado, con jugadores jóvenes con margen de mejora y esos activos de importantes que no pasan un año por el Eibar y se van. No podemos estar todas las temporadas haciendo 15 contrataciones porque eso aumenta los riesgos.  La apuesta por los jugadores jóvenes es una de las bases de nuestra identidad, pero también es verdad que tiene que haber un un empaque; necesitas jugadores que tengan poso en la categoría, que puedan hacer crecer a esos jóvenes desde la experiencia.

Dissecando aquilo que poderia ser um guia para a grande maioria das equipas do campeonato português. De facto, ter a capacidade de se adiantar à concorrência implica ter um largo domínio e reconhecimento dos talentos que prosperam na Segunda Liga e no Campeonato de Portugal, de maneira a chegar primeiro à contratação desses jogadores que possam crescer no clube. Depois, assegurar que essas contratações se enquadram na perspectiva de negócio para o clube. Ter a capacidade de dotar os seus jogadores de contratos plurianuais e com cláusulas que defendam os interesses de clube e atleta é fundamental.

Percebe-se, também, que no modelo de clube, a presença do director desportivo como guardião do projecto e da identidade do mesmo é fundamental. Não é o treinador que decide que jogadores trazer para o clube, mas a escolha é feita conjugando esses dois lados. Evitar uma renovação constante do plantel, ano após ano, permite ao clube uma segurança e continuidade que lhe permitirão ter vantagem sobre os rivais. Finalmente, mesmo para os clubes que têm a ambição de serem formadores, necessitam de ter um contexto de experiência para inserir esses jovens no quadro competitivo desejado, para além de permitir ao clube a manutenção de um quadro de referências ao longo dos anos.

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